O que te faz feliz?

Nesses dois primeiros meses do ano, decidi ler todos os livros sobre organização pessoal que comprei recentemente. Embora ainda restem alguns ebooks ainda não lidos (“Como viver  com 24 horas por dia”, de Arnold Bennet; “Os 12 mandamentos da administração do tempo”, de Jacques Miranda; “Vida frugal – Como economizar dinheiro e viver mais com menos”, de Samanta R. Rodrigues), li, entre os dias 1º de janeiro e 20 de fevereiro, os seguintes títulos: “Organize-se num minuto”, de Donna Smallin, “A mágica da arrumação”, de Marie Kondo, “O estilo de vida minimalista”, de Joshua Michaels e “Vida organizada”, de Thais Godinho.

Sempre tive uma fama de pessoa organizada. Particularmente, não concordo muito com isso, embora talvez minha opinião negativa decorra de uma expectativa muito elevada. Ocorre que, ao lado do desejo de ordenar minha rotina e as áreas de meu interesse, gosto de realizar pessoalmente esses grandes projetos. Sei que é preciso delegar responsabilidades, e é o que faço na maioria das vezes. Mas, sempre que possível, gosto de por a mão na massa. Assim, o meu interesse pelo assunto vem de longa data, embora minhas leituras estivessem desatualizadas. Depois de ser apresentada à ideias de David Allen e Christian Barbosa, idealizadores de dois métodos, GTD e Tríade do tempo, respectivamente, passei a utilizar seus conceitos em meu cotidiano. Identifiquei-me com maior intensidade, porém, com um autor menos conhecido, Leo Babauta, autor do livro “Quanto menos, melhor” e do site http://zenhabits.net/. Sobre Babauta, já falei outras vezes aqui no blog: http://marcia.sampaio.me/2013/06/babauta-buffett-e-munger/. Assim, hoje não voltarei a falar dele, passando a comentar os livros lidos em 2016, mas já adianto que, dentre os títulos que mencionei no parágrafo inicial, um se destacou: “A mágica da arrumação”, de Marie Kondo., sobre o qual falarei ao final.

Talvez por conta da declarada inspiração no método idealizado por David Allen (Getting things done – GTD), o livro de Thaís Godinho não trouxe nenhuma novidade para mim, embora se trate de uma excelente material para quem se inicia no desafio de organizar a vida. Ela apresenta, de forma simplificada, conceitos relacionados a projetos de curto, médio e longo prazo, traz pequenos questionários que ajudam no processo de identificação de prioridades e, de quebra, traz as inevitáveis dicas para otimização da vida cotidiana. Como acompanho o seu blog http://vidaorganizada.com/, já estava familiarizada com as suas ideias.

Todavia, embora já conhecesse as ideias de Thais, considerei  uma leitura bastante agradável e altamente recomendável para quem deseja assumir as rédeas de sua vida. E os pensamentos de simplicidade e gratidão que permeiam o texto são muito inspiradores. Grifei alguns de seus conselhos: “A organização precisa ser mais fácil que a bagunça – guarde esse conceito”; “Quando você define suas prioridade, nunca resta dúvidas na hora de decidir”; “Se você passa a semana inteira desejando a sexta-feira, talvez este seja um sinal muito importante para que você mude algumas coisas em sua vida”; “Acordar cedo para trabalhar, por exemplo. Sei que é costume reclamar por acordar cedo. Que tal, porém, começar a ver esse hábito de maneira diferente? Como? Basta pensarmos que estamos acordando cedo porque estamos vivos, só para começar”.

Quanto ao livro “O estilo de vida minimalista”, fiquei com uma sensação de tempo perdido. De fato, uma boa parte de suas páginas é destinada a apresentar as virtudes de uma vida minimalista (“minimalismo é uma forma intencional de se viver”; “o minimalismo liberta do desejo desesperado de possuir e acumular coisas”). Todavia, embora fale em bagunça minimalista, mentalidade minimalista, finanças minimalistas e organização minimalista, as dicas e sugestões apresentadas parecem extraídas de um almanaque antigo: “Nada poderá ficar no local que você designar uma área onde a bagunça não está autorizada, a menos que esteja sendo utilizado”; “Ao passar por um quarto, escolha cinco coisas e coloque-as em seus devidos lugares”; “Você não será produtivo e bem-sucedido se tentar fazer várias coisas ao mesmo tempo. Em vez disso, concentre-se em uma coisa de cada vez. Ignore todo o resto até terminar aquilo que começou”; “Diminua as suas despesas o máximo que puder e faça o que puder para aumentar a sua renda”; “Compre apenas as coisas que precisa”; “Todos devem passar de 10 a 15 minutos eliminando a bagunça antes de dormir, todas as noites”.

Em “Organize-se num minuto”, encontramos “500 dicas para pôr ordem em sua vida”. Mais uma vez acredito que a utilidade do livro será maior quanto menos o leitor já tenha se iniciado na leitura do tema. Algumas dicas, embora não representem nenhuma novidade, são muito interessantes: “Programe uma comemoração pelo sucesso de seu projeto de organização doméstica para daqui a três meses. Marque a data no calendário”; Siga as regras do bem senso: se alguma coisa é feia e não lhe serve, dê outro destino a ela”; “Não deixe pastas nem papéis sobre sua mesa se não estiver trabalhando diretamente com eles”; “torne mais agradáveis as tarefas chatas. Ouça música enquanto trabalha ou dê a si mesmo uma pequena recompensa depois de conclui-las”; “Planeje com antecedência tudo o que puder para poupar tempo, energia e dinheiro e para evitar frustrações, contrariedades e desaposentamentos futuros”.

Vamos à “mágica da arrumação”. O que há de inovador nesse livro? Eu já havia lido a respeito dele e sabia se tratar de um bestseller, que figurou no primeiro lugar na lista do New York Times. Isso não me diz muita coisa, pois nem sempre me interesso pelos livros que lideram as vendas. Mas a curiosidade foi mais forte. Aprovei imensamente o livro, embora não pense em por em prática todas as ideias da Marie Kondo. Um conceito, todavia, faz a diferença. Antes de apresentar as dicas, essas sempre tão repetidas por todos os profissionais que trabalham com organização, o livro propõe um critério ao mesmo tempo óbvio e absolutamente revolucionário para estabelecer o que deve continuar em nossas vidas: “Isso me traz alegria?”.

Aprofundando tal pensamento, é possível estabelecer prioridades reais, que se distinguem das expectativas externas. E daí, se a minha casa não corresponde ao ideal de casa impecável que se difunde em revistas de decoração? E daí, se eu não aderir à última moda em matéria de roupas, sapatos, penteado? O que te faz feliz? Adora cozinhar, assar biscoitos, confeitar bolos? Então as suas formas, assadeiras e bicos de confeiteiro são itens a conservar. E se eu jamais organizo festas ou jantares em casa, será que realmente preciso conservar um faqueiro ou um aparelho de jantar tão grandes? E o que dizer sobre os presentes? Segundo Marie Kondo, o presente cumpre sua finalidade no momento exato em que é recebido. Ou seja, não há razão para conservá-lo indefinidamente em casa se não acrescenta nenhuma alegria à sua vida. Guardá-lo por consideração a quem ofertou? Mas a consideração já foi demonstrada no momento do recebimento, pela alegria de ter sido lembrado. Guardar um objeto que não agrada apenas para não decepcionar quem o ofereceu é uma forma de desconsideração.

Outra ideia muito boa que Marie Kondo defende: você não precisa de nenhum tipo de objeto especial para se organizar. Pode reaproveitar coisas que já tem em casa, as mais simples possíveis, como caixas de sapato. Afinal, a ideia não é criar espaços ou técnicas para guardar tudo o que se tem, mas reduzir drasticamente o número de objetos em casa, de maneira a sobrar espaço para o que remanesce. Em resumo, o objetivo é reduzir, eliminar, diminuir, conservando apenas aquilo que é especial. E, sejamos sinceros, nem tudo é especial.

E você, é uma pessoa organizada? Ao menos tem interesse em sê-lo? Para todos, a começar por minha própria família, sugiro a leitura de “A mágica da arrumação”, a fim de que, ao nosso redor, mantenhamos apenas o que nos traz alegria.

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