Curtindo a festa alheia

Ontem estava em casa, uma vez mais assistindo a Casino, filme de Martin Scorsese, quando fui interrompida pela música que vinha de uma festa no salão de festas de meu prédio. Situações assim costumam incomodar, afinal, o alto volume da música invade a esfera privada de quem não foi convidado.

Ontem, porém, aconteceu o inverso. Eu interrompi a exibição do filme e fiquei na varanda, apreciando a música. Embora a área do salão de festas não seja tão ampla, os donos da festa haviam contratado uma banda ótima. A música chegava até minha varanda, cinco andares acima, com uma qualidade muito boa.

Divertindo-me com a celebração alheia, pensei no quanto me identificava com as escolhas deles. Não lembro agora todas as músicas que tocaram, mas vou relacionar algumas: 1. Happy, Pharrel Williams; 2. Help, Beatles; 3. Sultains of swing, Dire Straits; 4. Anna Julia, Los Hermanos; 5. Sweet child o mine, Guns’n’Roses; 6. Viva la vida, Coldplay; 7. Tempos modernos, Lulu Santos; 8. Another brick in the wall, Pink Floyd; 9. Taking on me, A-ha; 10. Losing my religion, R.E.M.

Embora a seleção, que mesclava músicas nacionais e estrangeiras, escapasse à quase inevitável trilha sonora de festas na Bahia (pagode, arrocha, sambinha, axé e funk carioca), os convidados estavam vibrando com a banda e cantando todos os refrões.

Se a festa fosse minha, certamente repetiria as escolhas deles, acrescentando outras músicas. É claro que muitas canções que adoro ficariam de fora, ou a festa teria de durar dois dias… O critério adotado para escolha foi apenas o prazer ao ouvir cada uma delas. A minha seleção seria a seguinte:

  1. Should I stay or should I go, The Clash;
  2. Come together, The Beatles;
  3. Será, Legião urbana;
  4. Under pressure, Queen;
  5. Money for nothing, Dire Straits;
  6. Losing my religion, R.E.M;
  7. Infinita highway, Engenheiro do Havaí;
  8. Don’t look back in anger, Oasis;
  9. Sugar, Maroon 5;
  10. Dancing with myself, Billy Idol;
  11. Vem quente que eu estou fervendo, Erasmo Carlos;
  12. Smells like teen spirit, Nirvana;
  13. Read my mind, The Killers;
  14. I still haven’t found what I’m looking for, U2;
  15. Mulher de fases, Raimundos;
  16. Everybody’s changing, Keane;
  17. The man who sold the world, David Bowie;
  18. Sympathy for the devil, Rolling Stones;
  19. Anna Julia, Los Hermanos;
  20. Another brick in the wall, Pink Floyd

Fiquei tão empolgada com a festa alheia, que gravei pela varanda alguns áudios, que enviei a  algumas pessoas. Todos ficaram surpresos com a seleção e a qualidade do som. Sem querer ser chata às vésperas do Carnaval, foi um alívio não ter que, mais uma vez, “participar” da festa dos vizinhos, ouvindo, por horas, as suas escolhas óbvias: Anita, Wesley Safadão, Ivete Sangalo. Defendo o direito de cada um ouvir o que lhe apraz, mas ontem respirei aliviada.

Bem se diz que “tudo que é bom dura pouco”. Assim, como era certo que aconteceria,  após algum tempo, a música cessou: “festa acabada, músicos a pé”. Ficou um sentimento de gratidão pelo vizinho que alegrou inesperadamente o início da noite de sábado.

 

1 thought on “Curtindo a festa alheia

  1. Olá Márcia!
    Lendo seu texto hoje, achei muita graça, pois eu também sou assim. Já curti muita festa alheia. A diferença é que sou mais modesta no meu gosto musical… Um bom samba já me deixa bem satisfeita.(Mas gosto também de outros ritmos!)
    BEIJOS!

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