Capas, contracapas e orelhas

Outro dia, eu estava passeando/navegando por alguns blogs que acompanho e por outros que nunca tinha visitado antes quando me deparei com uma expressão até então desconhecida: ‘book haul’. Ôpa! E isso é para comer ou para passar no cabelo? Explico. ‘Book haul’, segundo minhas investigações, é a lista de livros recentemente adquiridos ou ganhos de presente.

No último mês, eu li alguns livros muito interessantes sobre os quais pretendo escrever em breve. E, com tantas atividades profissionais, familiares e pessoais a conciliar, resolvi fazer um levantamento dos livros que me aguardam na estante. Eram tantos que, a princípio, levei um susto. Respirei fundo e refleti. No trabalho, eu sempre repito que toda tarefa, por maior e mais extensa que pareça, pode ser encarada, desde que seja segmentada e a execução, planejada.

Partindo dessa premissa, apresento o meu primeiro ‘book haul’. É claro que a expressão não está sendo utilizada adequadamente, pois a maior parte dos livros que apresentarei já foram comprados há bastante tempo, ou são emprestados e logo devolverei a seus felizes donos. Que seja! Vamos aos meus planos: a minha proposta é ler todos os livros abaixo relacionados até o final do ano. É uma ideia, pois, às vezes, me apaixono tão profundamente por um livro que ele passa ao primeiro lugar na fila. Não é um desafio, mas um incentivo para disciplinar minhas leituras. Além do mais, é uma lista incompleta, já que dormem em minhas estantes muitos outros livros que não entrarão na lista de hoje, mas que irei apresentando à medida que conclua a leitura dos que foram relacionados anteriormente.

Eis a minha lista:

1. ‘Saga brasileira – a longa luta de um povo por sua moeda’, de Miriam Leitão. Editora Record:

Saga brasileira

Este é o primeiro da lista. Pertence a uma grande amiga, que gostou muito e me emprestou há mais de seis meses. A contracapa do livro traz a sua apresentação:

O Brasil viveu uma história forte, dolorosa e decisiva na luta contra o tormento inflacionário. Houve euforia e decepção nos choques econômicos; medo e aflição nos piores momentos da hiperinflação. Os governos enfrentaram dilemas. As famílias criaram estratégias para sobreviver ao tumulto da disparada de preços e das trocas de moedas. Esse livro traz de volta o cotidiano da luta contra a hiperinflação. Lembra o confisco e os dramas familiares que ele criou. Quem viveu, vai se identificar; quem não viveu, se espantará com o que se passou. A moeda estável modernizou o Brasil, foi uma grande conquista da democracia, e permitiu novos avanços. Nessa saga, o inimigo foi vencido. Mas não morreu. Ele está à espreita, atento a qualquer descuido do pais.

2. ‘Philomena – Uma mãe, seu filho e uma busca que durou cinquenta anos’, de Martin Sixsmith. Editora Verus:

PhilomenaEste pertence a outra amiga e está em minhas mãos desde maio. Eu havia assistido ao filme durante uma longa viagem aérea e achei muito comovente. Agora terei a oportunidade de ler o livro, cujo enredo é brevemente resumido em sua contracapa:

Uma adolescente forçada a abrir mão do próprio filho. Um homem numa busca desesperada pela mãe biológica. Um jornalista diante de uma história que precisa urgentemente ser contada.

3. ‘Contra um mundo melhor – ensaios do afeto’ , de Luiz Felipe Pondé. Editora Leya:

Contra um mundo melhor

Já tive a oportunidade de ler outro livro deste mesmo autor, que, além de psicanalista e filósofo, é colunista da Folha de São Paulo. A filosofia é um dos meus maiores interesses em leitura e os textos que compõem o livro se propõem a examinar questões relacionadas à vida contemporânea. Uma boa apresentação do livro está em sua orelha:

Nos ensaios que compõem este livro, Pondé repete as características que fazem de sua coluna um espaço de instigação permanente: numa linguagem coloquial, o filósofo e psicanalista refuta todos os lugares-comuns. Desse modo, que ninguém espere de Pondé os velhos chavões da esquerda ou a atitude passiva dos que preferem seguir o rebanho. Não. Ele faz parte de um grupo seleto, marcado pela contestação – grupo em que se incluem, por exemplo, Nelson Rodrigues e Paulo Francis. Estes, assim  como Ponde. desconfiavam de todos os que pretendiam melhorar o mundo; e com certeza, assinariam mais esta provocação do autor:

‘O que nos humaniza é o fracasso.’

4. ‘Grande irmão’, de Lionel Shriver. Editora Intrínseca:

Grande irmão

Já li dois excelentes livros dessa autora: Precisamos falar sobre Kevin e O mundo pós-aniversário. Em Grande irmão, ela trata das relações familiares, além de abordar o tema da obesidade. O resumo na contracapa já cria a expectativa quanto ao livro:

Pandora é uma empreendedora de sucesso que vive em Iowa com o marido, Fletcher, um homem de temperamento irritadiço, que nunca consegue relaxar. Edison, irmão de Pandora, antes um conhecido pianista de jazz em Nova York, está completamente falido, sem ter onde morar. Contrariando o marido, Pandora envia uma passagem aérea para o irmão e convida-o a ficar em sua casa. Depois de quatro anos sem se encontrarem, ela quase não o reconhece quando vai buscá-lo n aeroporto e depara com um homem mais de cem quilos acima do peso. Em casa, os hábitos desleixados de Edison criam um enorme desconforto para Fletcher, até que Pandora decide se comprometer com o emagrecimento do irmão e abre mão de tudo para ajudá-lo.

5. ‘Sábado’, de Ian McEwan. Editora Companhia de Bolso:

Sábado

Escolhi esse livro ao acaso, pois, como se vê pela etiqueta colada na capa, estava em oferta na Livraria Cultura , numa banca em que todos os livros eram vendidos pela metade do preço. Achei muito interessante a apresentação na contracapa:

Nascido em 1948, Ian McEwan é considerado por muitos o melhor romancista de sua geração.Em Sábado, ele conta todas as horas de um dia na vida de Henry Perowne, neurocirurgião londrino de alto gabarito. A data é 15 de fevereiro de 2003.

No centro de Londres se prepara a maior manifestação popular já vista na cidade, com 1 milhão de pessoas nas ruas para contestar a invasão iminente do Iraque; ao mesmo tempo um banal acidente de trânsito envolvendo o carro de Perowne e o de um homem com problemas neurológicos trará consequências graves para o médico e sua família.

McEwan retrata com agudeza um momento em que o impacto dos atentados de Onze de Setembro em Nova York repercute na consciência dos ingleses. O escritor vale-se do ambiente impregnado pelo temor de novos atentados para conferir a detalhes triviais do cotidiano uma carga de tensão que carrega o leitor até a última página.

6. ‘Cinefilô – as mais belas questões da filosofia no cinema’, de Ollivier Pourriol. Editora Zahar:

Cinefilô 1

Já li outro livro do mesmo autor, ‘Filosofando no cinema’, em que ele se propõe a tratar filosoficamente do desejo, a partir da análise de 25 filmes. Creio que essa abordagem torna o estudo da filosofia atrativo até mesmo para quem não tem muita familiaridade. O que diz a contracapa:

Que tal aprender filosofia com Brad Pitt, Tom Cruise, Bruce Willis e Christopher Lambert? Essa é a surpreendente proposta deste livro de Ollivier Pourriol, onde filmes de grande popularidade servem de ponto de partida para a discussão de temas filosóficos. O Clube da Luta, por exemplo, leva a um saboroso debate sobre a liberdade; Colateral é pretexto para salientar as noções de método; O sexto sentido remete à fronteira entre consciência e percepção; Highlander traz à tona a diferença entre imortalidade e eternidade. Assim, por meio de personagens da cultura pop, com seus dilemas contemporâneos, questões tradicionalmente consideradas ‘difíceis’ chegam até o leitor leigo de forma compreensível, envolvente e sem banalizações. A filosofia finalmente é um conhecimento ao alcance de todos? Parece que sim.

7. ‘Cenas da vida na aldeia’, de Amós Oz. Editora Companhia das Letras:Cenas da vida na aldeia

O selo indicando o desconto de 50% no preço do livro (custou exatos R$11,00 na Livraria Cultura) não foi o único motivo para comprar esse livro. Eu gosto muito do autor, nascido em Jerusalém, de quem já li duas outras obras: De amor e trevas e O monte do mau conselho. Desde o início cativada pela beleza dos seus livros, desejo logo iniciar essa ‘viagem’. Na orelha, uma apresentação:

Em Cenas da vida na aldeia, Amós Oz mais uma vez se atém à simplicidade das pessoas, dos acontecimentos, das paisagens corriqueiras que se repetem e se cruzam para, a partir deles, abrir diante do leitor a cortina de outro possível mundo – natural ou sobrenatural -, de outras possíveis histórias – reais ou fantásticas -, que se entrelaçam com a realidade para construir aquela que para a literatura é a verdadeira realidade: não só a dos personagens e fatos que percebemos porque acontecem, mas também a dos que não percebemos, e a dos que podem acontecer.

8. ‘O que o dinheiro não compra – os limites morais do mercado’, de Michael J. Sandel. Editora Civilização Brasileira:

O que o dinheiro não compra

Sou absolutamente apaixonada pelo pensamento de Michael J. Sandel, considerado um dos filósofos mais importantes de sua geração. Meu primeiro contato com sua obra se deu através de ‘Justiça – o que é fazer a coisa certa’, um livro baseado no famoso curso Justice, ministrado em Harvard para mais de 15 mil alunos. Tive, ainda, a oportunidade de ler outra obra dele, “Contra a perfeição – ética na era da engenharia genética’. O que se lê na contracapa do livro? Eis a resposta:

Existem coisas que o dinheiro não compra, certo? Atualmente, não muitas. Hoje, quase tudo está à venda. Alguns exemplos:

Upgrade na cela carcerária: US$82 por noite.

Barriga de aluguel indiana: US$6.250.

Direito de ser imigrante nos Estados Unidos: US$500.000.

Nem todo mundo pode pagar por essas benesses. Mas não faltam maneiras de ganhar dinheiro. Se você está precisando de um ganho adicional, aqui vão algumas possibilidades inovadoras:

Servir de cobaia humana em testes de laboratórios farmacêuticos para novas medicações: US$7.500.

Combater na Somália ou no Afeganistão num contingente militar privado: US$250 por mês a US$1.000 por dia.

Não chegamos a essa situação por escolha deliberada. Está na hora de perguntarmos se queremos viver assim.

9. ‘O guia não oficial de Mad Men – os reis da Madison Avenue’, de Jesse Mclean. Editora Best Seller:

O guia não oficial de Mad Men

Eu confesso: sou viciada na série de TV Mad Men. Eu já havia lido ‘Mad Men e a filosofia’ quando, em visita à Livraria Cultura, encontrei esse guia. Diversão pura, mas já percebi que o livro está desatualizado, pois, à época de sua elaboração, haviam sido produzidas quatro temporadas, sendo que já estamos, atualmente, na sétima. Essa circunstância, contudo, não diminui o meu interesse. A colunista de TV de O Globo, Patricia Kogut, escreveu a orelha do livro, que apresenta muito bem a série:

Achei meu ‘novo Sopranos’: Mad Men. A série já tem quatro temporadas e é capaz de provocar aquele prazer que só quem acompanhou com muito gosto uma produção do tipo conhece. Estrelada por John Hamm (o publicitário Don Draper), e com craques como John Slatery (o chefe dele na agência, Roger Sterling), a produção mostra uma etapa importante da construção da sociedade americana tal qual a conhecemos hoje. Começa no ano em que John Kennedy se elegeu (1960), mas antes disso, durante a disputa dele contra Richard Nixon pela presidência. Era também quando o multiculturalismo de Nova York ficava em nichos ainda semi-isolados pelo preconceito. As famílias de judeus imigrados por causa da guerra já estavam na segunda ou terceira geração nascida nos EUA. O movimento pelos direitos civis era recente. E a indústria do tabaco se mantinha no auge, assim como a glamourização do seu consumo.

Todos fumavam, até o ginecologista ao examinar uma paciente, segurando o bico de pato numa mão, o cigarro na outra.

Aos olhos de hoje chega a ser sufocante. As primeiras campanhas de saúde contra tanta fumaça são tema de uma das grandes cenas dos episódios iniciais.

Num dado momento, Don, instado a criar uma defesa do cigarro para uma grande marca, sofre de uma crise de inspiração. Só no último minuto tem um insight. Iluminado por sua ideia, o publicitário diz ao cliente: não importa se um produto é deletério, o que vale na propaganda é associá-lo à ideia de prazer. Era a própria publicidade – nas suas origens, antes que os direitos do consumidor se impusessem como uma realidade – resumida numa frase.

A suburbia e suas esposas infantilizadas, presas ao ambiente doméstico enquanto os homens têm uma vida plena entre Manhattan e o santo lar, também são temas fortes. A imensa melancolia delas ao se dar conta de que ‘então era só isso’? (o casamento, os filhos, a espera diária pelo marido) é contemplada com enorme sensibilidade. Em contraste, há aquelas que trabalham, tomam pílula e comandam seu próprio negócio. Mad Men, com seus atores incríveis, sua produção de alta qualidade e roteiros maravilhosos é, como já se disse do ato de fumar, puro prazer. Só que não faz mal.

Minha mãe dirá que eu deveria incluir mais um livro para totalizar dez, já que ela detesta números ímpares. Bobagem, afinal, se levasse isso a sério, ela teria dois ou quatro filhos, e não três, como somos. Deixa pra lá! Seja como for, eis a minha lista e meus planos de leitura para os próximos meses. Adoro mergulhar assim na leitura, pois, ao emergir, estou com a cabeça fervilhando de ideias. À medida que for concluindo a leitura, postarei algum comentário ou resenha. Por enquanto, são apenas planos.

E você? Tem planos de leitura até o final do ano?

Pilha de livros 1

6 thoughts on “Capas, contracapas e orelhas

  1. Olá Márcia,
    No momento, minha lista aumentou 04 livros após essa postagem, obrigada pelas dicas e sugestões.
    Aguardando, agora, um texto sobre as frustrações de quem tem uma book haul que nunca diminui, ao contrário, a cada dia, aumenta mais um livro, em infinitos de vontade e certeza de que uma história ou ensinamento, ainda melhores, esperam no livro seguinte. (com certeza, será um texto de auto ajuda que lerei ansiosa, pois preciso demais combater essa sensação) Rsrsrs…
    Quem gosta de ler conhece a sensação prazerosa de terminar um livro, beber uma água e, só por curiosidade, folhear o livro seguinte que terá que esperar uma pausa dos afazeres e compromissos da vida, para ser degustado e, às vezes, devorado.
    Nesses momentos, lembro de um momento do filme “Harry e Sally – feitos um para o outro”, em que o Harry diz que sempre lia a última página de cada livro novo, pois se morresse antes de terminá-lo, saberia como acabava e entendo o porquê da paranoia: tem livros que PRECISAMOS saber como acabam. 🙂

    Abraços,
    Bella.

  2. Ah Marcinha, minha book haul não tem fim não…Acrescentei alguns agora da sua lista e assim vai.
    Na verdade, espero sempre ter mais livros me aguardando na estante e ser surpreendida por tudo que eles trazem para mim.

  3. Olá Márcia,
    Eu, que costumo dizer que leio muito, vendo esta sua lista, chego à conclusão de que não leio tanto! Pois ainda não li nenhum destes livros que você apresenta aqui.
    Você é uma grande leitora! Puxou a mim…
    Brincadeira! Pois é você quem me incentiva a ler.
    Porque nove livros? Acrescente mais um!
    Te amo!

  4. Márcia
    Eu gosto de ler, mas não tenho esse apetite todo que você tem. Não planejo nehuma leitura, aliás, só planejo mesmo as minhas finanças, pois o tutu precisa dar pra tudo, e se possível, ainda sobrar um pouco. Eu tenho alguns livros dormindo na estante, como você diz, esperando por minha leitura. Vou tentar lhe imitar.
    Abraços de Terezinha.

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