No final do arco-íris

A literatura está recheada de histórias de sonhos que se tornam realidade. Embalados com essa doce ilusão, o homem busca a sua felicidade lá, no final do arco-íris. O pote de ouro, todavia, está vazio. A felicidade, se ela de fato existe, está em cada pedra, em cada folha da estrada que conduz ao destino inexorável de todo ser vivente.

Uma vida dedicada à satisfação das próprias necessidades significa a privação do amor. E amar exige compartilhamento, compreensão, aceitação, perdão. Qualquer passo em direção do outro merece ser aplaudido. Todo gesto de acolhimento espelha a gratidão por existir.

O amor está em tudo e em todos os momentos. Ele não espera a hora. Ainda que deixemos que parta, sempre é possível resgatá-lo. Seus frutos são imateriais, mas permanentes: a mãe idosa resplandece com a visita dos filhos e netos, o professor vibra com o sucesso dos alunos, os amigos se apoiam em momentos bons e tristes, os casais comemoram a caminhada em comum.

Os anos passam, todos ficam mais velhos, não necessariamente mais sábios. Alguns chegam, outros se vão. Às vezes para sempre. Com o amor é diferente. A morte não o destrói, embora possa levar o ser amado, que permanece nas lembranças dos sobreviventes.

É tudo uma questão de perspectiva, mas não há engano: nenhuma vida, por mais longa que seja, é suficiente para que se concretizem todos os planos, conquistem todos os objetivos. Toda vida, contudo, basta para que seja integralmente usufruída como dádiva, prêmio, tesouro que recebemos sem nenhuma contrapartida. Nascer não é uma escolha. Viver, sim.

3 thoughts on “No final do arco-íris

  1. Olá, Márcia

    Saudades do nosso convívio diário e dos seus belos textos.
    Beijo, querida.

  2. Muito bonito, Márcia!
    Muito comovente!
    Isso que você diz sobre amar, é muito certo, nem a morte destrói o amor…
    …e viva o amor!
    Beijos.

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