Mudanças

Venho resistindo à tentação de espaçar ainda mais as publicações do blog. Não que falte assunto, inspiração ou vontade de escrever. Está faltando tempo. Explico.

Há mais de 21 anos, dirigia-me, todos os dias, ao mesmo local, onde trabalhava das 12:00 às 19:00 horas. De todo esse tempo, os últimos 14 anos foram passados no mesmo setor e, salvo algumas mudanças, trabalhando com as mesmas pessoas, a quem naturalmente me afeiçoei. Eis que, após retornar de férias, no início de maio, minha vida tomou novos rumos, aos quais ainda estou me acostumando. Não trabalho no mesmo prédio de antes. Aliás, nem mesmo no mesmo bairro. As atividades desenvolvidas também mudaram. Agora lido diariamente com pessoas que, em sua maioria, não conhecia. Tudo é novo mas, ainda assim, continuo perseguindo metas de produtividade, só que, agora, realizando tarefas ainda desconhecidas.

O resultado não poderia ser outro: onde anda meu tempo livre? Chegando em casa mais cedo, deveria dispor de mais tempo, o que, todavia, não ocorre. Descubro que desperdiço o tempo com televisão ou joguinhos de paciência: qualquer coisa que me dispense de pensar. Durmo muito cedo. Às vezes, sofro com insônia. Não consigo ir à academia diariamente. Já fiquei sem almoçar alguns dias, ou almocei após as 14:00 horas.

Não estou reclamando. A escolha foi minha. A minha mãe certamente dirá que demorou muito, que passei muito tempo no mesmo lugar, pois sabe o quanto adoro mudanças. Outro dia, em conversa com minha tia Tereza, comentei que até gosto de tatuagens, mas jamais faria uma, pois certamente cansaria dela. Outro exemplo de meu apreço por mudanças: desde que casei e deixei a casa de meus pais, aos 22 anos, já morei em muitos endereços: Brotas, Paralela, Itaigara, Caminho das Árvores, Paralela (novamente), Garcia, Pituba, Costa Azul. Oito endereços, ao todo.

Passadas as primeiras semanas, a nova rotina de trabalho vai sendo assimilada e posso retomar meus interesses. Voltei a ler, o que, de fato, me fez muita falta. Voltei a estudar e retomo, aos poucos, o hábito de escrever. Sobre livros, falarei no momento adequado. Quanto ao estudo, é indispensável para quase todas as profissões. A escrita, que carece de tempo e reflexão, já se ajeita nos escaninhos de minha vida.

Existem outras coisas que aprecio. Gosto de filmes. Bons filmes. E música, essa minha companheira diária. Minha filha desabafou: “Enjoei de Beatles”. Não é de se estranhar, pois, durante algumas semanas, conservei no carro os mesmos CDs, que eram reprisados sem cansaço: “Magical Mistery Tour” e “Abbey Road”. Quando eu própria já não aguentava mais as vozes de Paul e John, substitui a trilha sonora. Agora minha viagem diária pela Avenida Paralela é embalada pelas árias maravilhosas de Carmen, de Bizet.

O dia-a-dia nos oferece, sem dúvida, muito material para escrever. Contudo, essa mesma rotina diária nos cria embaraços e rouba o tempo que acreditávamos disponível. No domingo passado, por exemplo, fui ao supermercado pela manhã e, enquanto escolhia algumas frutas, vi uma enorme fatia de melancia escorregar da pilha e cair exatamente sobre o meu pé. Não chorei, talvez por vergonha. Depois de alguns minutos de imobilidade, quando a dor diminuiu, tentei movimentar o pé e convenci-me de que não havia quebrado nenhum osso. Durante a semana, esse pé inchou e me levou até a emergência ortopédica. Nenhuma fratura ou fissura, apenas uma inflamação a ser tratada com medicamentos e compressas geladas, além de muitas horas tomadas por cuidados e idas a médico e farmácia. Todavia, apesar do contratempo, ainda penso no ridículo da situação: fui alvejada por uma melancia. Podia ser pior. Podia ser uma jaca.

Gosto de mudanças. Elas me estimulam, rejuvenescem. Também aprecio desafios. Indagada sobre se o novo trabalho, tão volumoso e um tanto confuso, havia me assustado, respondi, se titubear: “Não.” Tenho consciência dos meus limites, mas já não temo o futuro. A vida acontece a cada dia, cada hora, cada minuto. O momento presente é a realidade. O mais é expectativa ou lembrança. Vamos à vida!

2 thoughts on “Mudanças

  1. Olá Marcinha.
    Eu também acredito muito no momento presente. Já houve um tempo em que pensava um pouco no amanhã, mas há muito que deixei de faze-lo. Pois a realidade é o AGORA!
    Lembrar de ontem me traz saudades e o futuro me faz pensar em coisas que serão inevitáveis, mas que não quero lembrar. O AGORA está ótimo.
    Mas na verdade o assunto era sobre suas mudanças…
    Eu creio que nisso ai você parece um pouco comigo. Nunca dei grandes saltos como você. Mas, em se tratando de mudança de moradia, sempre adorei! Nunca gostei de criar raízes em lugar algum.
    Vá em frente e seja muito feliz nas suas novas atividades.
    Sei que você é capaz alçar altos voos.
    Não tema por nada! Sempre estarei aqui rogando a Deus por você e por todos a quem amo. Beijos.

  2. Oi, Márcia! Que bom, você voltou ! Estava sentindo falta, mas logo deduzi, deve ser falta de tempo. Eu tenho um texto pra enviar. qualquer dias desses ele vai.
    Então, você mudou de rotina ?! Pra você que gosta de mudanças, vai ser bom. Você já mudou oito vezes? Acontece muito isso com pessoas que moram de aluguel. Essas pessoas têm o cuidado de não mudar na quaresma, pra não trocar de casa sete vezes. Interessante você mudou tantas vezes para casas próprias e ultrapassou as sete vezes Deve ter alguma ascendência cigana.
    Abraços pra todos, de Terezinha.

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