A maternidade

Ser mãe é, ou deveria ser, uma escolha. As motivações que impelem as mulheres à maternidade, porém, são variadas. Não existem motivos melhores ou mais nobres. São eles sempre o reflexo dos valores que orientam a vida de cada pessoa, como acontece com todas as escolhas da vida.

Existem algumas mulheres que, desde pequenas, demonstram um forte instinto maternal. Adoram bonecas, brincam de ser mãezinhas. Na adolescência, derretem-se à vista de bebês. Há mulheres de outra espécie. Não se interessam por bonecas e, ao chegar à vida adulta, nem gostam de crianças. Há quem pense que as primeiras, aquelas que amam crianças, seriam mais vocacionadas à maternidade. Ouso discordar.

A maternidade não se resume a colocar roupas bonitinhas, empurrar carrinhos de bebê e exibir a cria. Desde bebês, os filhos exigem muito das mães. No início, são noites mal-dormidas, amamentação, cuidados com alimentação, higiene. E muito mais: os primeiros passos, as primeiras palavras, os primeiros amiguinhos. Logo alcançam a fase escolar. O ingresso no jardim de infância traz, por vezes, algumas surpresas indesejadas, como contaminação com piolhos e catapora, arranhões e mordidas. As crianças sobrevivem e superam esses desafios, passando a enfrentar as dificuldades relacionadas ao aprendizado.

E, logo, no alvorecer da adolescência, começam as festinhas. No começo, apenas aniversários. Em seguida, vêm os passeios ao shopping, ao cinema, as matinês, os shows. O que fazem as mães, durante todo esse tempo? Assistem, acompanham, apoiam. Sofrem e vibram com a expectativa do vestibular. Comemoram, enlouquecidas, as conquistas dos rebentos.

Ser mãe é – e precisa ser – uma escolha do coração. Sendo escolha, valerá sempre a pena. Nunca consegui compreender ou solidarizar com mulheres que atribuem aos filhos a responsabilidade por seus insucessos: “Deixei de estudar para cuidar de vocês” ou “Mantive um casamento infeliz por causa dos filhos”. Ninguém escolhe nascer. A responsabilidade pela existência de um ser humano deve ser, portanto, assumida em sua inteireza. Apreciando os bons momentos e buscando sabedoria e serenidade para superar as más horas.

Há pouco tempo, enquanto comentávamos a rotina de minha filha na universidade, uma amiga do trabalho perguntou se o tempo não tinha passado rápido demais. Respondi que não.

Nenhuma fase da vida de minha filha foi curta ou longa demais. Vivemos intensamente a relação de mãe e filha. Amamentei-a por mais de dois anos, o que jamais representou sacrifício. Muito pelo contrário, amava tê-la no colo, enquanto me fitava, misteriosa. “O que se passa pela cabeça de um bebê, enquanto mama?”, pensava. Com alegria, estive ao seu lado, sorrindo com os primeiros passos, conhecendo os primeiros amiguinhos, deslumbrando-me com as frases geniais que surpreendiam a família.

Estive presente em todas as festinhas escolares, nas apresentações do balé, em sua rotina diária. Lia contos de fada, cantava sucessos da bossa nova para fazê-la dormir. Caminhamos pelas alamedas do jardim zoológico, viajamos juntas, elegemos Morro de São Paulo nossa praia favorita. Assistia sua paixão pelas bonecas, que colecionava. Estivemos juntas em seu primeiro show de rock, encantei-me com sua adolescência, preocupei-me com os pequenos incômodos de saúde. Observei a dedicação aos estudos, apoiei os momentos de dificuldade. Vaidosa, exibi seu boletim escolar aos meus amigos. Silenciosamente, avaliei os candidatos ao seu coração, aprovando-os ou não.

Como poderia pensar que o tempo passou depressa, se vivi intensamente cada instante de sua vida? Fui a feliz mãe de uma princesinha, de uma adolescente roqueira e, hoje, de uma jovem madura e cheia de opinião. A minha “Branca de Neve” tornou-se, no caminhar de tantos anos, a melhor amiga que eu poderia desejar.

Não, o tempo não passou depressa. Ele caminhou no ritmo certo, permitindo que eu saboreasse cada instante e chegasse, ao final de cada dia, convicta do acerto de minha escolha inicial: a maternidade.

Feliz Dia das Mães!

6 thoughts on “A maternidade

  1. Márcia
    Bonito relacionamento mãe-filha, lindo testemunho de vida.
    O que eu acho mais difícil entre as tarefas maternas é deixar a cria totalmente livre para agir. Acredito que nenhuma mãe aceita que seus filhos sofram, por isso, muitas de nós tentam evitar que seus filhos passem por vexames ou experiências traumáticas. Como consequência da nossa superproteção tiramos a oportunidade de nossos filhos conhecerem mais o mundo, ter suas experiências e tirar suas próprias conclusões.
    Em que pese o nosso grande amor, cada filho terá suas próprias experiências, assumirá o ônus ou bônus de suas decisões.
    Resta-nos orar para que o Senhor lhes dê sabedoria a fim de que façam as melhores opções.
    Abraços de Terezinha.

  2. Márcia,
    Peço licença para fazer uma correção:
    É verdade quando digo que nunca conheci uma mãe tão dedicada quanto você.
    Não havia conhecido antes, pois depois conheci Sandra minha nora, que é a segunda maior mãe do mundo.
    Beijos.

  3. Márcia,
    É muito emocionante, ver a minha menina, que ontem era a minha pequena, falando sobre a sua pequena que ontem era um bebê, já essa moça tão linda e responsável.
    Tenho certeza que essa é a maior realização da sua vida.
    Acredito que você é uma das melhores mães que já conheci. Nunca vi uma mãe tão presente na vida do filho. Nem eu, que sempre cuidei dos meus filhos por tempo integral, consegui ter tanta dedicação.
    Eu sempre me admirei ao ver como você, sendo tão dedicada ao trabalho conseguia dar tanta atenção á sua filha.
    Lembro de você amamentando sua filha durante a noite, sem se preocupar que no dia seguinte teria que acordar cedo e sair para o trabalho.
    Você merece todas as homenagens do mundo.
    Parabéns! Que o grande Deus faça vocês, mãe e filha, muito felizes.
    Beijos da emocionada mãe e avó.
    Lucinha.

  4. Marcia já vi que me identifico muito com você!!
    Passei por tudo isso com minha filha que pedia minha opinião e a do pai também para tudo que tinha dúvida .
    As amigas ficavam surpresas quando ela contava que minha opinião sobre tal assunto era isso ou aquilo.
    As amigas perplexas perguntavam: “E você fala sobre esse assunto com sua mãe. ?”
    Resultado as amigas vinham a nossa casa para conversarem comigo e saber minha opinião sobre algumas incertezas que tinham e quando eu lhes perguntava ” por que vcs não conversam com seus pais esses assuntos? elas respondiam : porque meus pais não entenderiam pois existem pais e “pais”.”
    Isso me deixava intrigada e ao mesmo tempo feliz de ver que nós estávamos conduzindo a criação de nossa filha da maneira correta.
    Lembro que nos aniversários dela fazíamos a festa e o bolo não era cortado, destribuiamos um outro bolo de aniversário feito especialmente para esse fim, pois o confeitado era juntamente com os salgados e doces, refrigerantes etc que sempre sobravam da festa , no outro dia levado por mim e ela a um orfanato para comemorarmos os aniversariantes daquele mês.
    Ela adorava ia tão feliz !!!!
    Também separava com ela roupas e brinquedos (sem defeitos) para levar a esse orfanato.
    Hoje vejo o resultado de toda essa cumplicidade……. Atualmente com 35 anos , duas profissões (administração de empresas e Direito) , casada, 2 filhos (6 e 2 anos) educando-os com a mesma cumplicidade, dedicação e VERDADE, pois isso é o principal ….. Falar a verdade é a maior das virtudes pois através dela passamos todas as outras qualidades que um ser humano deve ter.
    Hoje ela faz o mesmo que fazíamos nos aniversários dela, leva o bolo etc… com os filhos no orfanato fazendo o mesmo com roupas e brinquedos.
    Como diz ela …. Os 3 ensinamentos que ela nunca esqueceu :
    Do pai : “você tem obrigação de se agradável com todos, não importando quem sejam ,” e ” o maior patrimônio que vc tem é seu nome…. Cuide muito bem dele”
    Meus : “Antes de fazer as atividades escolares de casa, tem que estudar o assunto dado em aula no dia , depois sim faz-se as atividades”
    “Quando alguém fizer algum mal a você , lembre-se que é uma coisa errada e portanto não se deve “descontar” pois se estará errando 2 vezes , primeiro pq é errado e segundo pq sabemos que é errado ”
    Bem Márcia vc me deu a oportunidade de falar um pouco de tanta coisa que gostaria de falar de minha filha que apesar de ser filha única é uma pessoa generosa e sem algum egoísmo.
    Bjsssss

  5. Que lindo, Márcia! Me emocionei com as suas palavras! Bom seria que toda mãe pudesse chegar à vida adulta dos filhos com esse mesmo sentimento de plenitude.
    Feliz dia das mães!
    Beijos
    Ana Carolina.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × 3 =