Fizemos as pazes

Fizemos as pazes,

As palavras e eu.

Tantas vezes unidas,

Por vezes rompemos relações.

 

É que às vezes me rebelo

Canso de falar, escrever, argumentar

Fico vazia de pensamentos

Desejo voar.

 

Nessas horas, eu quero a vida

Muda, silenciosa, calada

Mais ações e menos discurso

O que calo, eu sinto

 

Sem desculpas ou ressalvas

Vem a reconciliação

E elas retornam encantadas

Passeando ao meu redor

 

Por onde andaram, meninas levadas?

Sem ressentimento, abro meu coração

Reatamos nossos laços

Avançamos em nossa intimidade

 

Filhas amadas mas esquivas

Brincalhonas, borboleteiam em minha cabeça

Serpenteiam em todas as direções

Formando frases desconexas

 

Escrevo porque gosto das palavras

Sinto prazer em adestrá-las

Ou submeter-me ao seu poder

Até que, ingratas, tornem a me abandonar

 

Curtirei novamente o vácuo

Vagarei como deserdada

E, com o peito inebriado de paixão,

Abrirei  as portas para esperá-las.

 

6 thoughts on “Fizemos as pazes

  1. Olá Márcia,

    Vasculhando textos antigos, me deparo com essa linda poesia. ^^

    Certa vez, li em algum lugar que o homem não pode se desfazer de sua sombra como a vida não pode se desfazer da poesia, seja ela dançante, melódica ou melancólica.

    Essa poesia foi, com certeza, sublime e transparente. Feliz em compartilhar desse sentimento.

    Vejo minha avó tão entregue a encher diversas linhas com seus traçados da vida que venho, também, aos poucos, imergindo na peleja com a grafia.

    Parabenizo-a por seus lindos textos que me fazem, sempre, refletir.
    Abraços,
    Bella.

  2. Marcia, que beleza! Voce jamais deveria deixar de escrever seja conto, poesia, artigo ou o que for. Ler voce é gostoso porque a sua palavra é limpa, espontânea e facil de entender. Não sou muito de poesia, mas com esta voce me encantou porque é como estarmos conversando. Parabens e nos brinde sempre com seus escritos.

  3. Márcia
    Gostei, muito bonita!
    Já estava estranhando a sua demora. Ainda bem que você e as letras fizeram as pazes para o deleite dos seus leitores.
    Abraços de Terezinha

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