Avante!

Os últimos finais de semana foram muito intensos. No primeiro deles, além de acompanhar a prova do Enem, o que por si bastaria para ocupar todos os meus pensamentos, passei pelo susto de receber um trote de um meliante qualquer. Susto superado, sucesso nas provas, semana de muito trabalho.

Na semana seguinte, participei da organização do aniversário de 91 anos e lançamento do livro de memórias de minha avó. Ao longo da semana, diverti-me, costurando e preparando os arranjos de mesa. No domingo, radiante, a “menina risonha”, como ela se autonomeia, viu-se rodeada de família e amigos, vibrantes com a realização de seu sonho.

Após tantas emoções, eis que se apresenta um final de semana tranquilo, sem festas, sem provas. Com o encerramento do ano letivo, há uma semana deixei de acordar à madrugada para levar minha filha à escola. Tenho tão poucas coisas urgentes a fazer que sinto um certo torpor. A sensação presente assemelha-se à de um atleta que estaca bruscamente após a corrida. Tanta tranquilidade abriu espaço para a retomada de antigos projetos e planejamento futuro. Desde a sexta-feira, reflito sobre alguns inimigos ferozes que ameaçam se colocar como obstáculos à realização de meus planos: a TV, o computador e a cama.

Explico. Não creio que assistir a um filme, uma novela ou qualquer outro tipo de programa televisivo seja, por si só, uma atitude negativa. Nesses momentos, a TV cumpre bem o papel de relaxar, divertir, entreter. Ocorre que, como tudo na vida, a virtude está no meio termo. Permanecer durante todo o dia espalhado sobre o sofá – escornado, como se diz na Bahia -, controle remoto na mão, zapeando pelos canais, em busca de algum coisa para assistir, é um bom método de abrir mão da vida, assumindo a posição de mero espectador que resiste a se tornar protagonista.

A mesma lógica se aplica ao computador e, em especial, à internet, essa minha amiga do peito. Não se trata de ingratidão de minha parte. O uso que fazemos da máquina depende de nossa escolha. Não sejamos tão rígidos a ponto de limitar o acesso ao mundo virtual à mera consulta a emails e outras ações formais. Apenas um louco menosprezaria a possibilidade de divertir, informar, pesquisar trazidas tão facilmente através das telas dos computadores, tablets, smartphones e o que for mais. O excesso é que estraga tudo.

Olha a história do limite novamente. Os adultos estão precisando de limites, como se fossem crianças. Qual o sentido de passar horas assistindo a todos os videos divertidos? Ou estar eternamente conectado às famosas redes sociais? Sei que, ao defender tanta frugalidade na conexão ao mundo virtual, incluo os meus textos no rol dos elementos a serem comedidamente acessados. Que fazer? Tenho que ser coerente e aceitar as consequências das posições que defendo. Acredito, todavia, que as pessoas de boa vontade que acompanham meus escritos são sábias o suficiente para dosarem o tempo de conexão sem necessariamente sacrificar o que gostam. Eu, por exemplo, tenho meus sites e blogs favoritos, que regulamente acompanho, respeitando o estrito tempo destinado à leitura online.

O terceiro vilão de minha produtividade no final de semana é a minha cama, pois, após uma semana agitada no trabalho, é tentadora a possibilidade de simplesmente ficar deitada o dia inteiro, dormindo, lendo… Levantar apenas para ir ao banheiro ou à cozinha. É o momento de pensar: se a saúde está bem, por que deveria permitir que um dia de vida se passasse assim, na modorra?

Resultado? Acordei cheia de planos e projetos, que incluíam a atualização de minha agenda até o final do ano, o arquivamento de todos os documentos que estão em minha caixa de entrada, a participação no fórum de discussão no curso sobre improbidade administrativa, as compras na feira e no supermercado, a arrumação do guarda-roupa e muitas outras coisas. Embora esbanjasse disposição, um pequeno atraso fez com que chegasse tarde ao supermercado. Não havia uma vaguinha sequer no estacionamento. Desisti e voltei para casa, adiando o primeiro item da lista de coisas a fazer no dia. E prossegui procrastinando meus projetos: não guardei os documentos da caixa de entrada nem arrumei o guarda-roupa. Atualizei a agenda, fiz pesquisas para a viagem de férias, estudei um pouco e dei a minha contribuição ao fórum de discussão.

A noite chegou. Resta desejar que o domingo baste para dar conta de minha listinha de afazeres.

2 thoughts on “Avante!

  1. Márcia
    Não se culpe por aproveitar o fim de semana para relaxar. Você merece!
    .Repousar é uma necessidade fisiológica do corpo e da mente, caso contrário, caminham inexoravelmente para a estafa.
    Quando estava terminando o curso de medicina e inciando a residência médica, sentia-me bastante cansada com as noites perdidas. O meu maior sonho era dormir bastante, o suficiente para compensar todas as noites insones passadas no Hospital Martagão Gesteira. Tive um mês de férias e na terceira noite já estava entediada com tanto ócio. Você conhece bem como é a vida em São Bento do Inhatá: “sombra e água fresca”
    Portanto, no meio está a virtude, nem tanto nem tão pouco, como dizem os mais velhos, por isso mesmo, mais sábios.
    Um abraço de Terezinha

  2. Márcia,
    Não sei se entendi bem o texto, mas me pareceu que você é muito exigente consigo.
    Depois de tanto trabalho, tantos sustos, tanta correria… porque não se dar ao luxo de aproveitar bastante a sua cama no fim de semana?!
    Até mesmo os exercícios físicos podem esperar um pouquinho. Arrumar guarda roupa, nem se fala!
    Beijos.

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