Vícios

Ao longo da vida cultivamos muitos hábitos. Uns bons, outros nem tanto. Àqueles que nos prejudicam, chamamos de vícios. E há vícios de toda espécie: cigarro, álcool, drogas ilícitas em geral, jogo, açúcar, internet, televisão, compras, sexo, café, atividade física (ou sua ausência)… Não tem jeito. Tudo em excesso prejudica a saúde. O que distingue o veneno do remédio é a dosagem utilizada.

Por tal razão, a moderação é uma virtude tão importante. A ela cabe temperar a vida, permitindo usufruir de seus prazeres sem afundar no abismo da dependência. Cultivar a moderação é como exercitar a paciência: grandes frutos serão colhidos a longo prazo, mas a jornada de auto-conhecimento, por si só, já valeria o esforço. Se a superação dos vícios exige empenho, os hábitos positivos, por sua vez, também podem ser desenvolvidos, com a sua prática regular. E, sendo exercício, não podemos desenvolver a moderação ou os bons hábitos apenas com palavras bonitas. É preciso ação.

Como sou uma pessoa muito chata, muito “caxias”, não fumo, não jogo, não uso drogas… Bem, uma ou duas taças de vinho ou uma caipirinha no final de semana podem ser incluídas no conceito de consumo moderado. Ainda assim, tenho muito a melhorar.

A mim, sedentária renitente e assumida, um pouco de exercício físico diário faria muito bem. Traçando uma estratégia de ataque, vejo que a melhor forma de adotá-lo pode ser dedicando um pedacinho do dia para movimentar o corpo com a atividade física mais agradável, o que, no meu caso, é a dança. Todos os dias, durante, no mínimo, meia hora. Após uns dois meses, o corpo, acostumado com o movimento, estará mais aberto à prática de novas modalidades atléticas. Espero…

Se o sedentarismo fosse o único vício a incomodar, teria à frente um grande desafio, mas um só. Eterna inquieta, tenho muitos outros hábitos a eliminar ou implementar. Veja o vício em açúcar… Há muito tempo tenho consciência de que sofro de compulsão por açúcar, na qual tenho a companhia de algumas das pessoas que mais amo.

Há cerca de duas semanas, resolvi moderar o consumo de doces. Nesse caso, pensei que deveria suprimi-los de forma radical, pois, como todo compulsivo, sou incapaz de parar, após o primeiro docinho. Desde que tomei tal decisão, fui a duas festinhas de criança e não provei nem um brigadeiro. Abandonei os docinhos (pé-de-moça, cocadinha ou nego-bom) que adoçavam minhas tardes de trabalho. Em almoço festivo, limitei-me a provar uma porção pequena de uma única sobremesa e, no final da festa, uma pequena fatia da torta. Em passeios no shopping, nada de tortas ou sorvetes. Se fosse em outros tempos… Enfim não sofri nenhuma crise de abstinência e a balança já indicou que estou no caminho certo.

Outro hábito que virou vício e precisa ser atacado é o consumo de café. O curioso é que só comecei a tomar café depois de adulta, ou melhor, há uns 10 ou 15 anos. No início, era apenas um pouco de café, uma vez ou outra, mas, com o tempo, aumentei o consumo durante a tarde, por conta do ar condicionado do trabalho. Resultado? Interferências no sono. Vou imitar o Leo Babauta e inicio hoje uma jornada de um mês sem tomar café. Em seu lugar, chá de ervas.

Há muito tempo deixei de assistir televisão com regularidade. Eventualmente vejo um filme, mas, em geral, a TV fica desligada a semana toda. Minto: assisto o Jornal da Manhã e o Bom dia Brasil, desligando rapidamente antes que Ana Maria Braga e o Louro comecem a gritar dentro de minha casa. Ficar sem TV é fácil.

A nossa primeira experiência aconteceu há uns quatro ou cinco anos, quando a nossa televisão queimou e eu, viajando muito a trabalho, não tinha tempo de sair para comprar outra. Passamos tranquilamente um mês sem TV. Em outra ocasião, resolvemos pintar o apartamento sem sair de casa. Protegendo da poeira, empacotamos muita coisa, inclusive o televisor (minha casa só tem um aparelho, o que é suficiente). Foram três semanas sem televisão e sem sofrimento.

Acho que, para mim, é uma experiência que não traz maiores dificuldades porque eliminei o hábito de ver novelas há muitos anos. Sei da existência delas e, eventualmente, se estou na casa de meus pais, vejo algum capítulo, mas empenho-me em desconhecer o nome dos personagens e o enredo. Não gosto do aprisionamento/dependência causado pelos folhetins. Acho que viciei em liberdade.

Além do mais, como não assisto à TV, sobra tempo para outras coisas que gosto de fazer, como ler. Costumo ler dois livros ao mesmo tempo. Quando estou chegando nas últimas 50 páginas, começo a programar a próxima leitura. Não tenho um gênero preferido, leio tudo. Mas sou exigente quanto ao conteúdo. Atualmente, estou lendo “A Parte e o Todo”, de Werner Heisenberg e já tenho um pilha de livros à minha espera: “Sinatra”, de Anthony Summers, “O mundo em desordem”, de Demétrio Magnoli e Elaine Senise Barbosa, e “Uma noite em 67”, de Renato Terra e Ricardo Calil. Esse é um vício que não pretendo abandonar…

3 thoughts on “Vícios

  1. Márcia
    Moderação! É a palavra chave, um pouquinho de cada coisa. As coisas que nos dão prazer, produzem endorfinas, por conseguinte, fazem bem à saúde. Essa teoria é de meu pai, ele sempre afirmava: se dá prazer é porque faz bem.
    Para mim, vício é tudo que escraviza, que tira a liberdade de escolha, essas pequenas compulsões não são muito prejudiciais.
    Com o passar dos anos precisamos mais ainda de atividades, para o corpo, para a mente e o espírito.
    Fale com Lucinha, que ela já tem o bom costume da leitura, mas precisa exercitar o corpo. Ela vai perceber a diferença.
    Não sou exemplo de nada, mas gosto de ler, de me exercitar, e rezar. As atividades da minha Igreja, são por demais prazerosas. Ah! o meu trabalho também. Já estou imaginando a aposentadoria, vou sentir falta da rotina laborativa. Faz aumentar a auto estima.
    Por hoje é só.
    Beijos de Terezinha

  2. Márcia,
    O vício pela leitura, acho que esse foi herdado de mim. Adoro ler. É um hábito bom, mas o meu já virou vício(não consigo dormir ou ir ao banheiro sem ler pelo menos, duas páginas de um livro.)Se não tenho nada para ler pego o dicionário. Serve.
    Outro hábito também parecido: Só cozinho ouvindo música.
    Gosto de café, mas não considero vício, pois só uso como alimento, com bastante leite. Não tira o meu sono.
    Açúcar…Este é um vício mesmo.Adoro!
    Fazer exercícios, sei que preciso, mas não gosto.
    Beijos.

  3. Além da leitura, a atividade física é outro ” vício” que também não pretendo abandonar. O excesso de café, por sua vez, torna-o enjoativo, o que não acontece com as duas primeiras atividades.

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