Ser feliz

O conceito de felicidade é individual. Cada pessoa enxerga a vida sob uma perspectiva particular, influenciada pelas experiências vividas. Trazemos, cada um, ao longo da vida, as marcas da nossa infância, das relações familiares, das alegrias e tristezas experimentadas. Essa é a fundação sobre a qual se erige a filosofia de vida de cada um. Tais vivências colorem a visão que temos do mundo. As alegrias pintam a vida de cores vibrantes. As decepções, por outro lado, trazem os tons sombrios.

Se a felicidade é definida individualmente, com que direito, então, pode alguém opinar sobre as escolhas existenciais do outro? A essência da liberdade reside na possibilidade de viver tudo aquilo que se deseja, respeitando, como limite, o direito do outro e, também, assumindo a responsabilidade pelas consequências que decorram da opção feita.

Não, não é fácil. Aliás, fácil é exigir que a própria liberdade seja respeitada. Duro é aceitar que o outro tenha opiniões diferentes. Não submeter-se é um lado da moeda, o mais agradável. A outra face, mais árdua, é não tentar subjugar o outro. Significa aceitar que a verdade não tem dono e que não podemos determinar o futuro. Nem mesmo o nosso.

Viver plenamente a liberdade exige, antes de tudo, a aceitação da própria condição humana e a percepção da vida sob o viés da paz. Aceitar que o amor é dado, nunca exigido. Que abrir-se para o outro é enriquecedor. Que vale a pena dar o braço a torcer e descobrir novas perspectivas.

Ser livre abrange, inclusive, a própria submissão, se ela é voluntária. A deliberada entrega do leme ao outro permite conhecer novos destinos. Revela verdades insuspeitas, inatingíveis quando o orgulho dita o caminho a seguir. A entrega é doce sempre que o amor e o respeito estão presentes.

 A felicidade está, portanto, intrinsecamente relacionada à liberdade. Depois de conquistada a mais ampla liberdade, é doce dizer sim. “A vida não tem que ser resolvida”, já dizia Paulinho da Viola. Não existe manual ou receita de plenitude. Tudo pode conduzir à realização plena. Um final de semana tranquilo. Passar o sábado em casa, ouvindo música, lendo, escrevendo, cochilando, arrumando gavetas…

“A vida é bela. Só nos resta viver”, cantou Angela Rorô.

4 thoughts on “Ser feliz

  1. Márcia,
    No meu comentário anterior citei apenas um dos meus momentos de grande felicidade. Existe outros.
    Beijos.

  2. Márcia
    Você está se superando. Parabéns! Liberdade e felicidade: Dois bens preciosos, intrinsecamente ligados. Difícil é saber tirar proveito da liberdade para ser feliz. O que percebemos é o desrespeito, o desperdício, e o uso abusivo da liberdade. Assim é a felicidade, de tão subjetiva que é, não sabemos quando a possuímos. Estamos sempre a espera de algo extraordinário, inusitado, para acharmos que somos felizes. A felicidade está nas coisas mais simples, na rotina do dia, dia, no convívio com as pessoas queridas; no ato de viver e poder usufruir das coisas naturais.
    Quando conseguimos uma coisa muito desejada, a felicidade é imensa, mas passa. A tristeza com o tempo sofre acomodação e dói menos, assim é a felicidade: O que nos dava muito prazer, com o do tempo passa, vem o costume, a rotina, e diminuição do prazer. Tudo isso, em relação ás coisas materiais: as imateriais têm valor inestimável
    Um abraço. Seja feliz!
    Terezinha

  3. Márcia,
    É exatamente isso: “A vida é bela. Só nos resta viver.”
    Felicidade para mim, significa estar com saúde e paz e saber que as pessoas que eu amo também estão bem.
    Gosto de aproveitar todos os momentos bons que a vida me oferece.Por exemplo: Numa reunião onde estejam meus filhos, netos, mãe, marido, noras, genro, irmãos, cunhados, sobrinhos e amigos; uma bela festa onde eu possa dançar, cantar, ouvir meu irmão Tonho recitar suas poesias. Marcos e os primos tocando e cantando. Marcelo bem feliz preparando um bom churrasco. Eis aí meu momento de grande felicidade.
    Beijos.

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