Ela decidiu ser feliz, Tatinha…

– Cada dia me convenço mais de que ser feliz é uma escolha. – comentou uma amiga.

Recordei a história que, contada há anos, cunhou a expressão. A mãe de minha amiga tinha uma vizinha que, embora enfrentasse muitos revezes financeiros, familiares, de saúde, jamais abandonava  o sorriso que acompanhava o cumprimento no elevador. Nenhum contratempo abalava a sua alegria. Um dia, a mãe de minha amiga desabafou:

– É, Tatinha… Fulana decidiu ser feliz.

A princípio contada como piada, a historinha ilustra um fato. E não apenas aplicável à vizinha risonha. É uma realidade que está à nossa volta. Observe: as pessoas felizes são aquelas que assim escolheram ser. Não são felizes por terem conquistado isso ou aquilo. São felizes porque não podem nem conseguem ser de outra forma. A sua visão do mundo espanta o ceticismo, a acidez, a amargura. O seu sorriso supera as lágrimas. Os beijos e abraços são distribuídos com generosidade.

Existem pessoas desse feitio, que espalham alegria e contaminam todos ao redor. Não é uma escolha fácil. Mas, afinal, quem disse que é fácil ser feliz? Somos muito exigentes. Queremos tudo. E com perfeição. Inúmeras vezes deixamos de aproveitar as coisas boas por mirar apenas as estrelas. E é claro que não nos tornamos mais felizes ao criticar o modo de vida do outro.

De igual modo, nenhuma religião conduz à felicidade se conservado o olhar agudo que aponta, acusador, a ausência de fé alheia ou as fraquezas de abatem quem está ao lado. Será que não basta cuidar da própria fé? Será necessário estar o tempo todo, sempre, em qualquer ocasião, falando de sua crença? O que faz pensar que alguma religião seja superior às demais? Católicos, evangélicos,espíritas, muçulmanos, ateus, estão todos no mesmo saco. A evangelização ou divulgação de alguma crença religiosa, ou de sua ausência, exige um mínimo carisma ou talento para comunicação. Se o crente não é capaz de conquistar a simpatia de sua família, como pode acreditar que vai converter alguém à sua fé? Só se for ameaçando com o fogo do inferno.

Observando ao redor, reparamos que as pessoas que mais felicidade exalam têm também as suas dores, os seus momentos difíceis, as suas angústias. O pulo do gato, creio, está na visão bem-humorada que têm da vida. Riem sempre, muito, sem parar. Têm opinião formada sobre assuntos sérios, mas, acima de tudo, não abrem mão de acreditar no ser humano, no poder do abraço, na possibilidade de redenção. Generosas, não economizam afagos. Agradáveis, iluminam o ambiente em que ingressam.

Tenho muita sorte de ter gente assim ao meu redor. Um pouquinho em cada canto. Uma avó iluminada, uma amiga do trabalho, alguns conhecidos… Não são muitos, mas o suficiente para inspirar e me convencer de que podemos, sim, escolher a felicidade para a nossa vida. Não porque as coisas acontecem segundo nossos planos, mas porque ser feliz é o melhor remédio, não é, Tatinha?

5 thoughts on “Ela decidiu ser feliz, Tatinha…

  1. Márcia
    Desta vez Rui não teve preguiça de escrever.
    Eu sou extremamente tolerante com as outras religiões, só que não alimento muito o “papo”, não polemizo, não concordo, nem discordo. Não sei como eles consideram o meu silêncio, provavelmente acham que é ignorância bíblica. Que seja! É melhor do que discutir.
    Beijos de Terezinha

  2. Marcia, ótima cronica!
    Com relação a religião, é terrível quando se é intolerante com as outras crenças. Pois bem, tomei conhecimento de que mora no condominio aonde resido um senhor que conheceu D. Peró quando esta morava em Mata de Aliança. Lembra muito bem da professora, casada com Jubé do escritório. De logo fiquei feliz com a possibilidade de levar minha mãe mara conhecê-lo.
    Todavia, fiquei sabendo que ele é um crente intolerante e que chegou ao ponto de jogar fora o crucifixo da senhora mãe dele!
    Hoje pela manhã fazia um discurso fervoroso contra os católicos, o papa, todos adoradores de imagens!
    Se ele fizesse esse discurso na minha presença certamente eu agiria como fiz com uma protestante há pouco dias. É que eu fui conversar com Edinho, um amigo de infância e aí entrou no estabelecimento comercial uma senhora portando alguns livros de protestante, dentre os quais O Sentinela. Querendo encetar uma conversa foi logo falando que era contra o preconceito! Eu tinha certeza de que ela falaria sobre aquele preconceito das pessoas ricas com os pobres, negros com os brancos, o óbvio; e aí passaria a falar de Adão, Eva, etc.
    De imediato respondí pra ela que eu também era contra o preconceito e que tenho um amigo homossexual que sofre uma pressão muito grande, não podendo frequentar lugares públicos de mãos dadas. Disse também que outro amigo é feiticeiro, diplomado em magia negra, e não conseguiu licença para se instalar formalmente!
    Nesse momento ela pssou a falar que se deveria ler a biblia! Aí eu disse que o faria quando aprendesse o aramaico, lingua que foi escrita, pois segundo os italianos TRADUTTORI TRADITORI. O estudioso Pastorino verificou nos textos originais que aquela parte que o Evangelho de São Joãodiz ” Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, no original é ” Eu sou do caminho, da verdade e da vida”, o que modifica integralmente o sentido.
    Tenho certeza de que ela doravante vai escolher outra pessoa para a evangelização e o meu intolerante vizinho não terá o prazer de rever D. Peró, que está cada dia mais culta.

  3. Márcia,
    Infelizmente nunca fui muito sorridente. Acho que isso é genético, meu pai, minha tia Cota… eram pessoas extraordinárias, mas não sorriam muito.
    Continuo sorrindo pouco, mas sou muito feliz. É uma alegria que está dentro da minha alma.
    Beijos.

  4. Eu me senti contemplada nesse texto, Márcia, porque penso assim.
    Costumo pensar que nasci para ser feliz e não importam os revezes da vida: luto, a todo custo, por essa felicidade interior.
    Gosto de ver o lado positivo de tudo o que me acontece e, também, me apoio, sim, na minha crença, aliás, tem um louvor religioso que diz assim: O mundo pode até fazer você chorar, mas Deus quer te quer sorrindo…
    É assim pra mim; Serei sempre feliz!

  5. Muito bom e concordo plenamente com o texto.
    Tambem tento ser feliz sempre pois como dizem os mais velhos faz bem a pele rsrsrs.
    Adoro ler suas postagens… me fazem muito bem!
    Bjs

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