Quando chega um bebê…

Ontem nasceu o primeiro filho do príncipe William, futuro rei da Inglaterra. Um garotão, com quase quatro quilos. Hoje, na saída do hospital, os pais, sorridentes, apresentaram o bebê. A felicidade estava estampada em suas faces. É claro que cumpriram suas obrigações de gerar um herdeiro para a Coroa. A beleza daquela primeira aparição em público, porém, não estava na formosura da família, ou na pompa daquele instante. É justamente a ideia de uma família amorosamente recebendo um novo membro que aproxima nobres e plebeus, ricos e pobres, cristãos, judeus, muçulmanos. E nisso estava o encanto da apresentação do pequeno príncipe inglês.

Há exatamente um ano atrás acompanhei o nascimento de três garotos plebeus, baianos, soteropolitanos. Em cada contexto, estava presente a mesma alegria com a chegada do bebê. O primeiro a nascer, em julho de 2012, vinha fazer companhia a um irmãozinho cinco anos mais velho. O segundo menino, por sua vez, já tinha, por parte de pai, uma irmã de dezessete anos. O terceiro garoto era o primogênito de seus pais e o primeiro neto varão, a fazer companhia a duas lindas primas.

A notícia da vinda de um bebê traz sempre muitas emoções. Algumas inesperadas. Quem poderia antecipar a reação da adolescente, filha única, que, ao saber que ganharia um irmão, emocionou-se às lágrimas:

– Eu vou deixar de ser sozinha. Eu nunca mais serei sozinha, porque eu também vou ter um irmão.

Empolgada, acompanhou de perto a gestação da madrasta. Na véspera de seu aniversário, a garota recebeu um telefonema do pai, anunciando que o bebê chegaria naquele dia. Pela mais justa das motivações, não foi à escola, rumando para a maternidade. Ali permaneceu até a chegada de seu “Gordo”, forte, saudável, enchendo de alegria a todos.

A mãe da garota, ao ver as primeiras fotos do bebê, também foi inundada de ternura:

– Eu nem sei explicar o que sinto, pois vejo um bebê que, sem ser meu filho, parece demais com a minha própria garota. Em meu coração, eu o sinto como uma pessoa minha, um sobrinho talvez. Quanta felicidade essa criança já traz para todos nós!

É… O tempo passa, a vida segue e a todo momento pode nos surpreender. O milagre da vida acontece a toda hora, por toda parte. Príncipes e princesas procriam, exatamente como o mais comum do casais enfiado em qualquer lugarejo no fim do mundo. Contudo, naquele instante em que, pela primeira vez, os pais pousam os olhos no rostinho de seu bebê, a nossa existência parece alguma coisa melhor. Nossa jornada adquire significado inimaginável. A esperança se renova. E, sem importar as circunstâncias do nascimento, é a vida que se eleva e mostra toda a sua força.

4 thoughts on “Quando chega um bebê…

  1. Márcia,
    Lindo texto!
    Quando meus filhos estavam para nascer eu não acreditava que estava acontecendo uma coisa tão fantástica comigo.Imagine naquele tempo em que não havia ultra-sonografia. Sabíamos que o bebê estava ali, mas parecia um sonho. Então quando nascia tomávamos consciência da realidade. Era o grande milagre!
    Foi a maior emoção da minha vida. Emoção que eu tive a felicidade de viver três vezes.
    Beijos.

  2. Belo texto! É mesmo um momento mágico o nascimento de uma criança e não importa a classe social a que pertença. É magnífico e sempre esperança de renovação para os familiares.

  3. Muito belo e emocionante, Márcia. Concordo com você. É lindo o mistério da vida. É o Criador nos elevando à categoria de coautores da vida. Beijos de Terezinha

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