O desafio de ano novo

Eis que 2013 abre as suas portas! Inspirada pelo desafio de Natal, venho me lançar em novas águas, propondo pequenas e grandes mudanças na vida.

Essa é uma fase de transição, dessas que vez por outra todos atravessamos. Pequenas modificações já aconteceram: minha filha mudou de colégio e academia; juntas planejamos trocar de cabeleireiro e de apartamento. Bem, o emprego e o namorado continuam os mesmos, salve, salve!

Pequenas mudanças são aquelas ligadas a ações e que afetam diretamente o cotidiano, como voltar à atividade física, perder três quilos, planejar minhas atividades e tarefas, voltar a fazer trabalhos manuais, acompanhar minhas leituras com uma planilha.

Grandes mudanças são diferentes. Implicam na mudança de perspectiva e impactam na forma de ver a vida, sendo muito mais difíceis de se implementar. A minha grande mudança ocorre na direção de uma vida minimalista. O que significa isso, afinal?

Não se trata de possuir apenas cem objetos e outras coisas igualmente externas ao ser. Tenho o meu conceito pessoal de minimalismo e a sua busca é a grande mudança que planejo para a minha vida em 2013.

Minimalista é aquela pessoa que elimina o que não lhe pertence, como crenças, propósitos, preconceitos, desejos. Minimalista é quem tem coragem de abdicar da aprovação geral e assume plenamente as suas escolhas, mesmo que soem antipáticas aos demais. Não significa ser desagradável, mal-educado, grosseiro. Apenas um não suave e gentil basta. Ou a justa concordância nos momentos de solidão do outro, quando todos viram para o lado. Minimalista é aquele que abandona o rebanho e segue o seu caminho, seja qual for, sem medo de viver e ser inteiro.

Você gosta de praia? Vá, aproveite e não precisa me convidar. Mas se um dia eu resolver ir tomar um banho de mar no Porto da Barra, irei sem ter que me justificar. Também não vou dar explicações sobre as minhas restrições alimentares, sejam elas motivadas por alergias ou por convicções filosóficas. E se resolver comer um churrasco? É uma decisão e uma contradição pessoal: let it be. Se não gosto de vida noturna, por que sair à noite? Se gosto mesmo é de música clássica e rock, continuarei firme em minha posição de não prestigiar o axé, o pagode, o arrocha, o sertanejo. Mas se me der na telha, posso bem ir ver o Zeca Pagodinho cantar a sua malandragem.

Em 2013 vou redescobrir o não. E ousar pronunciá-lo muito mais vezes do que tenho feito. Rasgarei a caderneta secreta, guardada no fundo do coração, em que inconscientemente ficou registrado cada sim gentilmente cedido contra o que mandava o coração. Docemente direi não, entre sorrisos e afeto, destacando o amor da subordinação.

Em 2013, adornarei todo sim pronunciado com fartas doses de cumplicidade. Ofertarei, em tais casos, minha adesão plena, apaixonada, dedicada, íntegra. Seguirei vivendo amorosamente, desfrutando cada minuto de minha vida abençoada. Agradecendo, perdoando, esquecendo, aprendendo, amando.

2013 representa um marco: a abolição da contabilidade afetiva, com a extirpação de seus créditos e débitos. Porque o sim será sim inteiro e o não será plenamente negação. Porque, dentre tantos valores, a liberdade apresenta-se soberana e essencial.  E por ela, a liberdade, vale a vida.

1 thought on “O desafio de ano novo

  1. Reencontrei o seu blog Márcia! Fico feliz que o minimalismo seja o caminho que você pretende trilhar. O que eu percebo é que mudanças grandes funcionam quando a gente as realiza aos poucos, com calma, sem querer resultados imediatos, sem radicalismos. tem funcionado pra mim. Grande abraço e feliz ano novo!

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