O dilema do herói

A vida é feita de escolhas. A todo instante somos obrigados a tomar decisões e até mesmo a omissão nos traz consequências. De fato, não é possível imputar ao outro a responsabilidade pelos resultados de nossas renúncias, pois, exceto pelo uso da força, somos nós que permitimos sermos convencidos. E assim, mal saímos da infância, somos apresentados ao mundo e seus dilemas.

O que é um dilema? Este é um conceito filosófico, que se relaciona intrinsecamente com todas as questões éticas. O dilema consiste em um problema com duas possibilidades de solução, ambas com resultados negativos. O exemplo clássico do dilema é apresentado na Ilíada de Homero, quando Aquiles teve que decidir entre ter uma vida monótona e sem glórias, mas longa e tranquila ou viver intensamente, morrer ainda jovem, na Guerra de Troia, e conquistar a glória, projetando seu nome e sua fama para as futuras gerações. A glória ou a vida longa? A morte precoce ou a monotonia do cotidiano?

O dilema de Aquiles é mais atual do que pode parecer. Inconscientemente, tal questão assoma àqueles que, no mundo contemporâneo, anseiam em celebrizar-se? É sabido que, a reboque de todas as suas vantagens, a fama traz restrições, os erros e deslizes das celebridades sofrem reprovação triplicada em razão de sua notoriedade e sua queda, em geral, não atrai compaixão.

Deixando de lado a celebridade, vem uma pergunta: é possível levar uma vida extremamente aventureira, sem rotina, cheia de emoções e, ao mesmo tempo, viver de forma saudável, construir um relacionamento estável, ter uma família equilibrada? Ou ainda um dilema mais proletário: o que fazer com o décimo terceiro salário? Gastar todo o dinheiro, comprando presentes para todos ou pagar dívidas e economizar para o futuro? A cigarra ou a formiga?

A principal característica do dilema é que, pouco importa qual seja a decisão tomada, existirão consequências boas e ruins. A vida é isso: decidir e viver com o resultado. Não é possível extrair somente as vantagens de cada escolha, pois cada passo, cada ação implica em bônus e ônus a serem aproveitados e suportados por quem decide.

O que fazer diante de um dilema? Essa é uma pergunta filosófica e, como tal, não tem uma resposta certa. Cada um vive da maneira que acredita ser a melhor e é o responsável único pelas decisões que toma.

5 thoughts on “O dilema do herói

  1. Márcia.
    Assim como Lucinha, eu também não experimentei muitos dilemas ao longo da minha vida, Talvez seja por que somos pessoas simples, sem muitas pretensões. Não almejamos a imortalidade, queremos apenas ser lembradas com respeito e um pouco de saudades.Mas isso daqui a algumas dezenas de anos.
    Entretanto, admiro as pessoas corajosas que correm atrás do seu ideal.O que seria da humanidade se todos fossem acomodados, deixando-se ser levados pela vida?
    Os dilemas existem, os conflitos também. Aqui vai um conselho de uma pessoa com um pouco mais de vivência : Quando o dilema surgir procurem ajuda.Felizmente, temos um Amigo fiel e altamente confiável. Podemos contar sempre com o seu apoio, embora , às vezes tarde.”Tarda mas não falta”.
    Recorram à leitura da Bíblia, ela nos traz ensinamentos valiosos:
    Outra coisa, não compliquem muito a vida. Todos nós somos heróis em certos momentos da vida.
    Chega!
    Um abraço de Terezinha

    livro

  2. Márcia,
    Li seu texto. São muitas reflexões.
    Vou dizer uma coisa : Eu nunca passei por muitos dilemas não. Adoro a vida que escolhi para mim.
    Se tiver oportunidade de nascer de novo, farei tudo igual.
    Creio que o ideal é sermos um pouco cigarra e um pouco formiga.
    Beijos.

  3. Marcinha querida, sempre boa nas reflexões !!! Nos meus dilemas sempre resolvo a partir da minha intuição ….geralmente não me arrependo. Beijo linda!

  4. Marcia, a resposta a estas indagações parece ter sido respondida pelo romanos: in medio virtus.
    Quando jovem eu não me imaginava um funcionário público, pois sempre fui adepto dos esportes. Achava mais interessante uma profissão de aventura, quiçá um caminhoneiro, mas nunca um Barnabé.
    Hoje entendo que você por ter atividade profissional intelectual e uma atividade profissional, seja no esporte ou em outra área.
    Cito, por exemplo, o estatístico Cruif, que concilia o triatlon e corridas de aventura com a sua burocrática função.

Deixe uma resposta para Terezinha Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 × cinco =