Relatividade

A psicóloga Sonia Cristina Camargo Bessa, em artigo publicado no Cyberdiet (http://cyberdiet.terra.com.br/a-gula-7-1-6-459.html), assim conceituou a gula: “um comportamento compulsivo onde existe uma insatisfação total e irrestrita consigo mesmo e a tentativa de encontrar um remédio para esta angústia, desencadeia sentimentos de frustração e ansiedade que se aplacam com o avassalador ataque ao seu objeto de ‘prazer’.”

Afastando a perspectiva religiosa, que a inclui entre os sete pecados capitais, a gula, ao lado da luxúria, por relacionar-se intrinsecamente com instintos primitivos, aproxima o homem de seus irmãos animais. Animais procriam, o ser humano faz sexo por prazer. Animais comem, o homem une, ao ato de nutrir-se, a satisfação causada pela degustação de sabores.  E, tão complexa quanto a relação humana com o sexo, é a sua interação com o alimento.

O excesso de comida, associado à falta de atividade física (olha outro pecado: a preguiça), provoca o aumento de peso e, consequentemente, o surgimento de doenças crônicas. Além da obesidade, que, apesar da fome na África, já ganhou  o status de epidemia, é inegável a influência do excesso ou escolha inadequada de alimentos no surgimento ou incremento de doenças como diabetes e hipertensão.

Eis uma questão difícil: os pais exultam com o bebê que suga avidamente o seio da mãe, ganha peso e demonstra genuíno interesse por comida. Cresce um pouquinho e, ao ingressar na escolinha, a criança rechonchuda, orgulho de avós culinaristas, é exposta à crueldade  dos coleguinhas. Apelidos variados acompanham o pequeno, que, angustiado, busca refúgio em comida, iniciando um círculo vicioso: comida, aumento de peso, bulling, angústia, comida, aumento de peso, bullying…

Já vai longe o tempo em que a gula era reprovável apenas por ser classificada como pecado. A cobrança por uma silhueta esguia e a censura pelo surgimento de uma barriguinha antecipam a expiação do pecado, que nem deveria ser contabilizado no momento do encontro de contas celestial. No século XXI, uma mulher que apresente as medidas de Marilyn Monroe no auge de sua beleza (1,67m, 63 kg, 93 cm de busto, 58 cm de cintura e 91 cm de quadris) será impiedosamente catalogada como gorda. Só para comparar, Gisele Bundchen mede 1,79m de altura e pesa míseros 54 kg.

A teoria da evolução vem em socorro das mulheres comuns: algumas características físicas associadas à fertilidade atraem, de maneira inconsciente, a atenção masculina. A restrição alimentar justifica-se, então, muito mais como uma questão de saúde do que como meio de atingir determinada aparência física, adequar-se a padrão estético. Mesmo porque, embora estejamos vivendo em um mundo globalizado, a beleza é um conceito relativo, vinculado às características valorizadas em cada época e cultura. Ou alguém tem dúvida de qual seja a preferência nacional brasileira? Aos homens, a palavra: que tal Juliana Paes?

3 thoughts on “Relatividade

  1. Como você bem disse o brasileiro prefere Juliana Paes às magras, aliás, esqueléticas modelos. O peso só deveria ser preocupação quando afetasse a saúde, porque comer bem é muitoooo bom.

  2. Márcia,
    Bom assunto! A questão da obesidade.
    Creio que a preocupação maior é por conta da saúde. Porque, eu por exemplo, não acho nenhuma graça em Gisele Bundchen. Cada pessoa tem um gosto. Acredito que muita gente prefere o tipo físico de Juliana Paes. Com isso não quero dizer que não devamos ter cuidado com o nosso peso.
    Beijos.

  3. Marcia, muito bom o artigo!
    Sem duvida, deve haver um controle com relação à alimentação, afim de se evitar uma indesejável obesidade, sem contudo, se submeter ao modismo da magreza extrema!
    Eu prefiro Marilyn Monroe, mesmo com aquela gordurinha saliente, a Gisele Bundchen.
    Quanto a Juliana Paes, esta nunca chegará perto da sinuosa Sonia Braga!

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