Soberba

Orgulho ou Vaidade…

Diz a Wikipédia: “Conhecida como soberba, é associada a orgulho excessivo, arrogância e vaidade. Em paralelo, segundo o filósofo Tomás de Aquino, a soberba era um pecado tão grandioso que era fora de série, devendo ser tratado em separado do resto e merecendo uma atenção especial. Aquino tratava em separado a questão da vaidade, como sendo também um pecado, mas a Igreja Católica decidiu unir a vaidade à soberba, acreditando que neles havia um mesmo componente de vanglória, devendo ser então estudados e tratados conjuntamente. Do latim superbia, vanitas”.

Eis um pecado que me faz lembrar muitas pessoas que amei e amo. Há uma frase que sempre associei ao meu avô materno, embora não tenha muita certeza de que ele realmente tenha dito isso: “A modéstia é a qualidade de quem não tem qualidades”.

Difícil falar em modéstia e vaidade quando se nasce em uma família de gente convencida. Porque esse pessoal é assim mesmo: “tirado a besta”. Se for olhar bem, no fundo mesmo, nós enxergamos as suas fraquezas, mas a auto-estima ali sempre foi tão elevada que parece heresia dizer que são imperfeitos.

A única pessoa verdadeiramente modesta e humilde já nascida nessa família foi a irmã de meu avô. Nascida para fazer o bem, dedicada a todos, amorosa, leal e discreta. A sua vida foi muito triste, assim como a sua partida, quando encontrou seu único filho, morto prematuramente. Mas, como ela, embora humilde, não era santa nem perfeita, irritava-se ao extremo com as vantagens cotidianamente apresentadas pelos dois irmãos, ambos tagarelas, contadores de grandeza.

Dentro de sua simplicidade, sem recursos financeiros, os irmãos vaidosos sempre estiveram convictos de sua inteligência extraordinária. Se tivessem ingressado na política, não creio que haveria outro mais loquaz.  Particularmente, prefiro nem imaginar o que seria do Brasil… Bem, seria um lugar diferente, pois eles sempre foram homens honestos, portadores de qualidade escassa ou inexistente no meio político brasileiro.

Nasceram oito filhos da união dos meus avós maternos: duas mulheres e seis homens. Acho que, em nossa família, o gene da soberba se comporta como o da hemofilia, não se manifestando nas mulheres, que, todavia, sendo portadoras, o transmitem a seus filhos varões.

Opa! Isso quer dizer que todos os homens de minha família materna são vaidosos? Sim. Todos. Sem exceção. Segundo o seu próprio julgamento, eles são e serão, sempre, os melhores amantes, atletas, escritores, médicos, professores, engenheiros, agrônomos, estatísticos, o que for.  Exagero? Basta assistir a uma pequena reunião de família.

Quase todos têm os seus escritos: poemas (a “deusa sertaneja” é sucesso absoluto de público e crítica e, em breve, estará aqui), contos, crônicas e historietas de São Bento do Inhatá, onde passaram a infância. Quem não escreve, toca algum instrumento ou canta. Divinamente, dirão eles. E, se faltar talento artístico (o que é de estranhar… Só pode ser intriga da oposição), certamente será um grande atleta (o maior goleador ou goleiro das peladas na Serra ou campeão absoluta em provas de atletismo).

Ah, vovô, pode descansar em paz: a qualidade da modéstia passou longe desses meninos.

6 thoughts on “Soberba

  1. KKKKK, parece até minha família! E tens razão, a soberba é exatamente como a hemofilia! Só um parece ter escapado: meu irmão. Bjs.

  2. Adorei… Esse eu vou mostrar para Sr. Agnelo e D. Nane que contam muitos “causos” dessa família. É uma pena que eu era muito pequena nessa época e vc nem era nascida, mas essa vidinha em São Bento era muito boa e foi um privilégio dessa geração poder ter passado momentos de suas vidas nessa terrinha!!! Uma pessoa que ia lhe ajudar muito nesse Blog era Toninho, mas ele já partiu. Seus pais conheceram. Pense numa pessoa cheia de sabedoria!

  3. Não sou da família (pelo menos não diretamente), mas o texto está muito bem escrito. Parabéns!

  4. Meu pai era muito bonito e inteligente. Se não fiquei vaidosa foi por milagre, pois ele dizia para quem quisesse ouvir que eu era mais inteligente que os doutores da família. Sempre pareci muito com ele.
    Parabéns, adorei o texto.
    Será que estou sendo muito vaidosa com essa história de inteligência? É normal, pertenço à família.

  5. Pelo jeito sua família maravilhosa é uma exceção e, assim confirmaria, a regra que Tolstoi registra no começo de Ana Karenina: “As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. Parabéns

  6. Que família fantástica essa sua, hein Márcia? Lendo até me deu uma vontade danada de fazer parte dela ou, ao menos, participar dessas reuniões.
    Parabéns!

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