Luxúria

Segundo a Wikipédia, a luxúria “é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Também pode ser entendido em seu sentido original: ’deixar-se dominar pelas paixões’. Consiste no apego aos prazeres carnais, corrupção de costumes; sexualidade extrema, lascívia e sensualidade. Do latim luxuria.”

Houve um certo rebuliço, quando comentei que estava escrevendo uma série de textos sobre os sete pecados capitais. Alguns curiosos, outros preocupados, todos investigavam a extensão da minha audácia e quais dos seus pecados seriam revelados.

Se pretendesse reunir tantas histórias picantes, decerto teria que escrever um livro e não apenas uma crônica. Isso poderia causar constrangimento a muita gente querida, discórdia em algumas famílias, além de alimentar o ego de uns poucos que agregam a lascívia à vaidade.

Contam que, em um certo povoado no interior da Bahia, havia um homem que afirmava ser pai da maior parte das crianças que nasciam por lá, não importando quem fosse a mãe. À sua esposa dizia: “Mulher, preste atenção: Fulana, casada com doutor beltrano, vai ter um filho e é meu. Fique logo sabendo para que meus filhos não queiram casar entre si”.

Os encontros espúrios eram contratados na sacristia, lugar de livre acesso às respeitáveis senhoras do lugar. A esposa, orgulhosa do marido, grande reprodutor local, dizia: “Nenhuma mulher nunca passou por minha janela para me dizer desaforo, senão levava uma surra. Ele sempre dizia a elas: ‘Não pense em dizer “dichote” a minha esposa, porque ela é mulher de respeito’.”  Que maravilha…

Esse senhor deixou uma descendência cônscia da responsabilidade em preservar tão notável reputação. Nenhum de seus filhos, netos ou bisnetos, contudo, conseguiu atingir tal grau de desenvoltura e sofisticação em seu papel de cafajeste, sendo, porém, inegável o esforço empreendido.

Sem guardar nenhum parentesco com o colecionador das sacristias, havia uma certa autoridade judiciária que causava rebuliço no fórum. Jovem, bonito, inteligente, vivia cercado de advogadas, estagiárias e estudantes de direito. Constrangia  os seus funcionários com as horas de espera infligidas aos demais advogados, quando aguardavam que se encerrasse a reunião, em gabinete fechado, com uma loira saracoteante.

Certa feita, outro magistrado, em visita, passou como uma flecha pelos assessores e, sem anunciar sua chegada, abruptamente descerrou a porta do gabinete do sedutor. Suspense na repartição. Retornou, sobressaltado, o nobre colega, andando de costas, tropeçando e  repetindo: “Desculpe, desculpe, desculpe…”

Histórias… Histórias…

3 thoughts on “Luxúria

  1. Márcia,
    Você esqueceu de contar que a viúva deste primeiro sedutor muito saudosa, aconselhava as netas: não fiquem aborrecendo seus maridos com ciumes. Eles vão dar seus recados e voltam para casa, não lhes deixando faltar nada.
    Quanto ao outro prefiro não comentar.
    Gostei do texto. Parabéns

  2. A vida é breve e o que fica são histórias.
    Fazer de tudo valer – Isto é o que importa!
    Carpe Diem.

    Marcia,
    Parabéns!
    Cada vez melhor.

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