Detalhes tão pequenos…

Eu não acredito que a felicidade seja um estado de espírito permanente. Não penso que a vida seja um mar de rosas. Sei que coisas ruins acontecem a pessoas boas e coisas boas acontecem a pessoas más. Mas não sou uma pessoa pessimista. E muito menos fatalista. Uma certeza, porém, tenho em mente: não podemos esperar colher aquilo que não plantamos.

O verdadeiro amor nada espera em troca, sabemos. A indiferença, porém, não semeia o afeto. Quem ama, dedica-se, importa-se, doa-se. No entanto, existem aqueles que, embora vivam olhando o próprio umbigo, dedicados tão-somente às próprias preocupações, pretendem exigir a atenção amorosa que não oferecem. O amor pode ser exigido? Jamais. Se for cobrado, já não será amor. E se não foi semeado, não poderá florescer.

Se é assim com o amor romântico, mais ainda será como amor filial. Podemos ter responsabilidades, obrigações impostas pelas relações de parentesco. Amor, porém, nasce da entrega. Só posso ter por tolo aquele que, sem dedicar nada de seu tempo, afeto ou pensamento, pretende fazer valer o argumento de autoridade. Como se fosse possível impor ao coração qualquer espécie de sentimento. Amor, ódio, paixão, sofrimento, alegria. Nenhum deles brota da razão. E o coração não aceita imposições. Se impõe condições, já não pode ser chamado amor.

É preciso conquistar espaço diariamente. É necessário ouvir, esforçar-se para compreender, evitar julgamentos. Pensei numa pequena lista de coisas que me fazem bem como mãe e como filha: repetir/ouvir milhares de vezes a mesma declaração de amor; usar durante toda a vida os mesmos apelidos secretos que ninguém mais pode saber; esquecer que o filho já cresceu e está fazendo dieta e oferecer as guloseimas favoritas da infância; conhecer os amigos dos filhos e saber o nome dos seus pais e namorados; saber o nome do chefe e dos colegas de trabalho; ser atualizada/contar todas as fofocas corporativas; ouvir os desabafos contra professores ou chefes; acompanhar as alegrias e tristezas românticas, rindo ou oferecendo colo; fazer compras juntas e pedir/dar palpite sobre a roupa para a próxima festa; nunca, jamais, em hipótese alguma, cometer o erro de, após algum desentendimento, dormir sem fazer as pazes ou sair sem despedir-se e repetir a declaração de amor; saber/contar tudo, tudo que tem guardado no fundo do coração; e, principalmente, guardar segredo (nesse caso, há de ser mais inviolável do que confessionário). Antes e acima de tudo, agradecer todos os minutos da vida pela felicidade de ter um filho, presente de Deus.

Se deseja ser amado por seu filho, ame-o. Incondicionalmente. Essa é a fórmula do amor.

2 ideias sobre “Detalhes tão pequenos…

  1. Excelente texto, Márcia!
    Concordo! Amor é doação e espontaneidade, não pode ser imposto. Ele só pode brotar, se for plantado.
    Feliz Dia das Crianças! Para a criança que permanece em cada um de nós.
    Beijos de Terezinha.

  2. Que lindo Marcia! Tão verdadeiro e profundo!!! Por enquanto, compartilho desse sentimento apenas como filha

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