Criando o hábito da leitura

Recentemente, algumas pessoas me perguntaram como eu conseguia ler tantos livros dispondo de tempo tão escasso. Eu sempre respondo que gosto de ler em todo tempo disponível. Parei para pensar melhor e percebi que não é bem assim. Eu realmente costumo ler nas horas vagas, mas nessas mesmas horas vagas também assisto TV, vou ao shopping, namoro, ouço música, navego na internet… Tenho, então, que tentar explicar melhor.

A mais forte razão para que mantenha um ritmo regular de leitura é o fato de sempre ter gostado de ler, desde a infância. Também gosto de estudar, o que amplia o leque de livros que me interessam. Ou seja, ler e estudar sempre foram fontes de alegria para mim. Contudo, tenha alguns hábitos que favorecem à inclusão da leitura em minha rotina diária, que, já digo, não é nem um pouco folgada:

  1. Mantenho um grande volume de livros interessantes à minha disposição, de modo a nunca estar “sem nada para ler”. Muito pelo contrário, reconheço não ser capaz de dar vazão ao ritmo de crescimento de minha biblioteca.
  2. Busco escolher livros de estilos e temas variados. Gosto de conhecer novos escritores e de incluir livros que tratem de assuntos fora do meu cotidiano. Vale tudo: romances, biografias, livros sobre filosofia, história, física quântica, matemática…
  3. Tenho uma boa luminária na cabeceira da cama e leio absolutamente todos os dias antes de dormir. Não importa que eu vá dormir tarde, que tenha tomado duas ou três taças de vinho, o que seja… Nessas noites de “farra”, leio ao menos cinco páginas (algumas vezes tenho de relê-las no dia seguinte, mas não importa. Faz parte da rotina). Já durante a semana, costumo vou deitar cedo (sempre antes das dez) e leio cerca de trinta páginas antes de dormir.
  4. Não mantenho televisão nos quartos. Ou seja, o aconchego da cama não está associado a uma tela transmitindo novelas ou outros programas.
  5. Dormindo cedo, também acordo muito cedo – às vezes antes das cinco da manhã. Fico lendo até as seis horas, quando levanto e me preparo para a academia (mens sana in corpore sano). Considero esse o melhor horário para ler, pois estou descansada e posso aproveitar o silêncio da madrugada.
  6. Durante o dia, não tenho como ler nada que não esteja relacionado ao trabalho, exceto se tiver, por acaso, marcado alguma consulta médica. Também aproveito as idas ao cabeleireiro. Nesses casos, levo meu livro e fujo das revistas de fofocas e programas de televisão.
  7. No final de semana, reservo algum tempo para ler, mas não muito. Na verdade, nesses dias estou sempre muito ocupada com outros interesses, inclusive escrever para o blog. Ainda assim, mantenho a leitura antes de dormir, mesmo que apenas cinco páginas.
  8. Como acontece quando descobrimos uma nova série de TV no Netflix, também mergulho numa espécie de maratona e sigo um ritmo mais intenso, quando estou com um livro especialmente interessante. Exemplos de livros que recentemente deflagraram essa febre? “A sombra do vento” de Carlos Ruiz Zafon, “O pintassilgo”, de Donna Tartt, “Tempo é dinheiro”, de Lionel Shriver, “Como curar um fanático”, de Amós Oz.
  9. Além de marcar, anotar, sublinhar os meus livros, registro algumas ideias num moleskine. No Kindle, uso o bloco de notas e guardo diversos trechos que destaquei nos livros.
  10. Além de minha mãe, tenho alguns amigos que compartilham meu gosto pela literatura, com os quais costumo comentar e recomendar (ou não) os últimos livros. Trocamos informações, opiniões e dicas sobre novos autores.

É isso… Não tem segredo nem mistério. Quando gostamos de alguma coisa, encontramos tempo e lugar. De minha parte, há alguns anos aboli a televisão de minhas noites. Prefiro ficar com as pessoas que amo. A leitura fica em segundo lugar.

 

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