Quatro anos

Hoje. Quatro anos. Exatamente hoje este blog completa quatro anos de existência.

Parece que foi ontem. E, para ser sincera, parece milagre que esteja durando tanto, levando em consideração que se trata de um hobby, mantido em minhas escassas horas livres. Hoje relembro essa trajetória. Após um início de febril produção e publicação, estive, em alguns momentos, prestes a abandonar o projeto. Tirei férias por mais de uma vez. Perdi praticamente todos os leitores que acompanhavam minhas postagens. Não me deixei abalar por isso, afinal, o blog não é o meu trabalho, não estou buscando seguidores. Na verdade, se ninguém, além de minha mãe, continuar lendo o que escrevo, a minha vida prosseguirá normalmente. E eu continuarei escrevendo enquanto assim desejar e me for permitido. Enfim, após as férias, voltei, espaçando as publicações, que se tornaram semanais – sempre aos domingos. Escrevi sobre livros, filmes, música, família, amizade, amor, felicidade… Recebi, durante quase um ano, os lindos textos de minha avó Perolina, que, aos 93 anos, agora publica os seus textos em seu blog independente https://quintacompero.wordpress.com/. E hoje comemoro quatro anos do surgimento do “Intenção e Gesto”.

Embora apenas no dia 24/08/2012 o primeiro texto tenha sido publicado aqui no http://marcia.sampaio.me, eu já havia estreado no dia 21, hospedando-me na plataforma do blogspot. Meu irmão caçula e conselheiro para assuntos de TI recomendou que eu migrasse para o wordpress, recomendação que foi imediatamente seguida. No dia 21 de agosto, eu havia deixado minha filha numa festa de despedida de uma de suas amigas do colégio que partia para o intercâmbio. Quando fui buscá-la, contei a novidade. E, aos trancos e barrancos, continuei, semana após semana, ano após ano. Cheguei aqui.

Conto com um reduzido mas seleto grupo de leitores que regularmente dedicam alguns minutos de seu tempo às minhas ideias. Ainda que todos desistissem de mim, sei que ainda contaria com a fidelidade de minha mãe, que se sente no dever de comentar absolutamente tudo o que escrevo. E se isso não for prova do amor materno, o que mais será? O desejo de prosseguir escrevendo, porém, ultrapassa a expectativa de ampliar o número de leitores.

E por que falo em leitores e não em seguidores? Porque tenho verdadeiro pavor dessa história de seguidor. Afinal, eu não estou liderando nenhuma seita. Não quero ser seguida. É responsabilidade demais para mim. E por que alguém deveria “seguir” um blogueiro? Ah! E se tem outra coisa da qual desconfio tremendamente, é dessa história de “formadores de opinião”. O que resta, nesse contexto, a dizer sobre as demais pessoas? Serão a massa à espera do comando? Ninguém precisa seguir ninguém. E esse papo de formador de opinião apenas resume o anseio contemporâneo em buscar atalho para as perguntas mais difíceis. “Por favor, diga como devo me vestir, o que devo comer, que lugares devo visitar etc etc”. Chique é isso. Chique é aquilo. Isso é cult. Aquilo é brega. A felicidade está aqui. Eu sou do bem. Fulano é do mal. Coitadinho de sicrano. Vixe, como ela está gorda!!!

Então, por que escrevo? Por que continuo escrevendo? Adianto, a quem possa interessar, que me considero uma escritora bastante medíocre. Mas muito, muito burrinha mesmo. Sinto-me a zilhões de anos-luz do mais modesto dos escritores que admiro. Mas, ainda assim, sigo escrevendo. E por que essa chama não se apaga? De onde vem essa força me leva ao teclado e ao monitor após tantas horas de trabalho em frente a outro teclado e a outro monitor? Não sei.

Eu poderia escrever um diário. Ou escrever contos, ensaios e romances que seriam mantidos cuidadosamente trancafiados na memória de meu computador ou, como faziam os antigos, em manuscritos guardados em cofres. Mas sou besta mesmo e publico meus pensamentos. Talvez, ou muito provavelmente, porque escrevendo ordeno minhas ideias. E publicando, torno-as irrecusáveis. Posso mudar de opinião, mas jamais negar o que foi dito. Essa permanência impõe alguma coerência, pois as mudanças exigem justificativa. Porque sim ou porque não nunca foram respostas aceitáveis para mim. Até a metamorfose ambulante do Raul exige alguma explicação. Fico lembrando do meu avô materno que adorava uma discussão, se estivesse baseada em bons argumentos. Ele dizia que gostava de me contrariar apenas para apreciar o debate. O amor às ideias, o prazer em discorrer longamente sobre música, arte, filosofia. Sei que tudo isso foi herdado dele, o que me enche de ternas lembranças. Muitas vezes estivemos em polos opostos. Os demais tremiam e temiam nossos embates. Na época, eu nem desconfiava, mas o meu avô, homem simples do interior, sabia que os nossos diálogos, ainda mais do que conhecimento ou cultura, nos proporcionavam alegria e satisfação.

E assim chego ao final de quatro anos absolutamente exausta. Seguirei, porém, porque às vezes sou muito teimosa e a teimosia é, por incrível que pareça, a irmã mal falada da persistência, essa, sim, uma grande virtude cantada em verso e prosa. Que seja! Que venha a próxima semana, o próximo mês, o próximo ano… Opa!

4 ideias sobre “Quatro anos

  1. Olá Márcia! Que beleza! Fiz reflexão sobre a questão de seguidores, chego a ter medo quando ouço falar em seguidor e em liderança. Admiro e gosto de alguns cantores, escritores, artistas, religiosos, jogador de futebol, atletas, etc. Porém, jamais seguidor! Parabéns!

  2. Olá Márcia ! Sempre que posso leio os seus textos e faço isso por prazer, pois me agradam. Às vezes os comentários que faço não chegam ao endereço, é que continuo ” barbeira” em Informática.
    Continue! Existem muitos leitores.
    Beijos da tia e admiradora Terezinha.

  3. Ufa! Minha filha está cansada!
    Descanse se for preciso, mas não deixe de escrever.
    A persistência é mais uma das suas grandes qualidades!
    Leio e comento tudo que você escreve, não por amor maternal, mas por admirar e gostar muito dos seus textos.
    Você não é uma escritora medíocre, e digo mais: não está a zilhões de anos-luz dos MELHORES escritores… Você é um deles!

  4. E que virtude, a da persistência! Será para os fortes?? Marcinha, leio tudo seu… Assim que vejo. Fico feliz por continuar. Sou sua “seguidora” sim, com muito orgulho. Sigo, com os olhos, os livros que você indica. Meus mais sinceros parabéns. Um beijo.

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