Minha seleção musical para o Dia dos Namorados

Estava flanando pelas páginas da internet, pesquisando nada, desperdiçando meu tempo escasso e me deparei com uma playlist para o Dia dos Namorados. Percebi, porém, que uma seleção musical escolhida por outra pessoa nunca será perfeita para mim. Fiquei pensando no tipo de música que eu escolheria. Para a elaboração a minha playlist, apenas uma regra: a liberdade total para escolher em qualquer estilo, língua, época. Algumas músicas foram escolhidas pela melodia, outras pela letra. O fato de a minha pequena seleção conter apenas sete músicas não significa, de modo algum, que outras canções também não me agradem. É que ando em uma fase tão extremamente lírica que, depois que comecei a escolher as músicas percebi que corria sério risco de escolher apenas árias, esquecendo músicas populares que aprecio. Enfim, eis o que escolhi:

  • Durante a minha infância, ouvia as músicas que meus pais gostavam, o que era 100% MPB. Aos 11 anos, “descobri” Paul McCartney, que, desde então, sempre ocupou o posto de meu artista favorito. Quando adolescente, colecionava seus discos e ficava plantada em frente à TV quando anunciavam o lançamento de um novo videoclipe no Fantástico. Foi assim com “Say say say” e “No more lonely nights”. Embora tenha ampliado, e muito, meu leque de artistas apreciados, sempre conservei um lugar especial para Sir Paul. Para a seleção do Dia dos namorados, escolhi My love, canção que ele compôs para sua primeira esposa, Linda.

 

  • Prossigo em minha seleção, com um dos artistas de que mais gosto: Eric Clapton. Gosto de sua guitarra sedutora, de sua voz rouca mas suave e da beleza sutil das letras. Embora eu ame a canção Change the world (“Se pudesse mudar o mundo, eu seria a luz do sol em seu universo”), para essa seleção musical escolhi Wonderful tonigth.

 

  • Certa vez, sonhei que estava sonhando. Nesse sonho dentro do sonho, Axl Rose aparecia de um lugar ignorado e me “roubava” um beijo. Eu não sabia dizer o seu nome, apenas que era o cantor de “Sweet child o mine”. Ainda durante o sonho, eu pensava que aquele era o melhor beijo do mundo. O mais engraçado da história é que nunca fui sua fã. Contei a história para minha filha e ela imaginou o desdobramento: quando fosse levá-la ao HEMOBA, onde ela é doadora de sangue, a técnica em enfermagem me diria “Bom dia! Soube que certa vez a senhora sonhou que era beijada Axl Rose. Por favor, espere fora do prédio, pois a senhora pertence a um grupo de risco!” Piadinhas à parte, escolhi uma linda música do Guns N’Roses para a minha seleção de Dia dos Namorados (talvez em homenagem ao “melhor beijo do mundo”): Patience.

 

  • Sou da geração que viveu a adolescência na década de 80. Ou seja, sou contemporânea ao lançamento de filmes como “Curtindo a vida adoidado”, “De volta para o futuro”, “Caçadores da arca perdida”, ao ridículo da moda de então (ombreiras e calças baggy) e ao surgimento de grandes bandas do rock brasileiro, como Titãs, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso. Para que ninguém se engane, aviso que sou  avessa a eventos saudosistas da década de 80, como as festas Ploc, que insistem em preservar a lembrança de algumas músicas que deveriam ser esquecidas, como, por exemplo, Ursinho Blaublau. Construindo uma ponte entre artistas de alto nível que iniciaram a carreira naquele tempo e a música atual, escolhi para a minha playlist uma linda canção de Nando Reis: Por onde andei.

 

  • Outro que iniciou a carreira na década de 80 é Frejat. Naquele tempo, ofuscado pela luz de Cazuza, ele encontrou, em sua maturidade, seu espaço. Arrisco dizer que, dentre os brasileiros, é meu cantor de rock predileto. Gosto de sua voz rouca, de sua aparência cansada e sofrida de astro do rock na meia-idade além, é claro, de suas músicas. Foi difícil escolher qual de suas canções eu traria para a minha seleção. Escolhi uma que narra a busca de um homem maduro por um amor verdadeiro: Segredos.

 

  • Além do rock, eu sou apaixonada por música erudita. É o que mais comumente escuto em meu carro e em casa. Gosto dos compositores clássicos, românticos e contemporâneos. Aprendi a aceitar, ouvir e apreciar a música atonal, embora permaneça achando que é mais fácil ouvi-la incidentalmente num filme do que em um concerto. Aliás, é comum que, ao assistir um filme, eu seja conquistada, antes do enredo, pela trilha sonora. Essa sempre foi uma das razões de minha paixão por Tarantino e Woody Allen, verdadeiros ases na arte de selecionar a melhor música. Aproveitando da absoluta liberdade de escolha e transitando entre todos os estilos musicais de que gosto, escolhi um pequeno trecho de O lago dos cisnes, de Tchaikovsky.

 

  • Amo ópera. Amo ópera. Amo ópera. Bem, estando assim resumida a minha relação com um estilo musical pouco compreendido e apreciado (pelo menos aqui entre meus conhecidos), decidi incluir um trecho de ópera. Sendo Dia dos Namorados, escolhi  uma cena de arrebatadora sensualidade, em que a cigana Carmen, que descreve o amor como “um pássaro rebelde que ninguém pode prender”, seduz o soldado Don José, iniciando uma sucessão de eventos que o levará à ruína e ambos à tragédia. Assim, para finalizar a playlist do Dia dos Namorados, Près des remparts de Seville, da ópera Carmen, de Bizet, em montagem do Metropolitan Opera, com a participação de Elina Garanca e Roberto Alagna nos papéis principais.

 

A todos, um feliz Dia dos Namorados!

2 ideias sobre “Minha seleção musical para o Dia dos Namorados

  1. Feliz dia dos namorados pra você também, Márcia!
    Você disse bem; nós – eu e Ronaldo – sempre preferimos MPB. (Mas isso nunca nos impediu de admirar a música clássica)
    Você falou em Paul McCartney… Eu o idolatrava na minha juventude, sou fã dos Beatles!
    Era louca por Elvis Presley também!
    Quanto às músicas clássicas… Como poderia não gostar? Se são as músicas que o meu filho compõe…! O meu muito amado compositor MARCOS.
    Mas, para hoje, dia dos namorados, prefiro ouvir uma música de Tom Jobim,
    Vinicius, Toquinho…
    Estes são os meus prediletos!

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