Melancolia

Duvidava das próprias escolhas,

ora movidas por impulso,

ora pela inexplicável necessidade de aprovação.

 

Sempre o mesmo resultado:

perdida a essência,

moldava-se a cada situação,

ante o desejo irrefreável de agradar.

 

Lentamente, percebia o distanciamento de si.

Como camaleão, adquiria as cores do cenário,

completamente adaptada.

As escamas, porém, permaneciam.

 

A cada abalo, o vazio.

Nenhum significado extraído da anulação do eu.

 

A todo momento, era cuidar em cada palavra dita.

Grandes agravos, atitude diplomática.

O preço a pagar.

 

Conservava, porém, a esperança

de emergir mais forte, decidida, convicta.

A vida não lhe pregara uma peça.

 

Nenhuma censura externa a abalaria.

Subvertera as expectativas,

assumindo a pena com a qual redigia o script de sua vida.

 

3 ideias sobre “Melancolia

  1. Olá Márcia! Lindo poema, gostei muito.
    Continue postando poesia.
    Beijos de Terezinha.

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