Fit Dance, pode me aguardar!

No mês de abril, fui com minha filha a uma feira realizada na Praça Ana Lúcia Magalhães, na Pituba. Planejamos almoçar lá, em algum dos restaurantes que participavam do evento. Mas, além de aproveitar a gastronomia na praça, eu também havia prometido acompanhar minha filha, que ia participar de um aulão de Fit Dance. Ela faz essas aulas de dança há bastante tempo, mas eu nunca tinha assistido.

A primeira pergunta que me fiz foi: o que é Fit Dance? Simplificando, é uma atividade física aeróbica que associa passos de funk, pagode etc a muito salto, giro e agachamento. Além de uma profusão de “dar uma reboladinha”, “jogar o cabelo”… Ninguém espere elevada qualidade musical, pois esse, sem sombra de dúvida, não é o objetivo. Pelo contrário, as letras das músicas repetem versos inacreditáveis como: “Devagarinho, devagarinho, devagarinho, devagarinho/Desce novinha, com a mão no joelhinho”, ou “Taca taca taca fogo/Taca taca taca fogo/Taca taca taca pra trás/Quero ver tu aguentar/Quero ver tu rebolar/Aqui na frente do papai” ou “Que o Helipa, é, baile de favela/Que a Marconi, é, baile de favela/E a São Rafael, é, baile de favela/E os menor preparado tudo pra dançar com ela”. Para compensar os erros de português e o conteúdo machista, o ritmo cadenciado das músicas anima e convida a dançar. Acho que o segredo é fazer de conta que estão cantando em coreano, ignorar as letras e apenas seguir o balanço.

Havia, naquele dia, uma maioria esmagadora de alunos da academia que foram à praça prestigiar o professor e se divertir. A turma de dançarinos era bastante eclética, formada por homens, mulheres, de idades variadas e que, durante 50 minutos, se entregaram ao ritmo, sob o divertido comando do professor. Eu adorei. Porém, embora a aula de Fit Dance seja empolgante, logo reconheci que não era para mim, notória sedentária. Pelo menos não naquele domingo, quando qualquer tentativa de rodopiar na praça poderia resultar em sérias contusões e estragar o passeio. Contentei-me em ficar assistindo e, ao final, compensei a frustração de bailarina com um delicioso risoto de filé com cogumelos.

Passado pouco mais de um mês do domingo na praça e após muitas desculpas e enrolação, finalmente retomei as atividades físicas. Após avaliação médica e aprovação no teste de esforço, compareci à recepção da academia, decidida a efetuar minha matrícula. Sabedora que sou de minha preguiça, decidi contratar um plano longo, de oito meses ou um ano, que, de certo modo, garantisse minha frequência, se não pelo impulso esportivo, ao menos para não amargar prejuízo financeiro.

Fui apresentada a uma moça que me mostrou as instalações da academia e as opções de planos. Deixei que ela fizesse o seu trabalho, embora já tivesse certeza de que iria fazer a matrícula naquele dia. O tour foi proveitoso, pois eu só conhecia a academia pelo lado de fora. E, a bem da verdade, com seus quatro andares envidraçados, o imponente templo da boa forma intimida os transeuntes, especialmente os preguiçosos como eu. Lá dentro, porém, relaxei e até esqueci o quanto estou fora de forma. Assinado o contrato e efetuado o pagamento, agendei a avaliação inicial para o mesmo dia, à noite.

No horário marcado, compareci para a avaliação de praxe: idade, altura, peso, há quanto tempo está sem fazer exercícios, confirmada a autorização médica etc etc. Em seguida, veio a pergunta de sempre: “quais são os seus objetivos aqui?” Lembrei de um amigo que reencontrei há poucos dias. Elogiei a sua boa forma e disse que a história de seu emagrecimento já me havia sido contada por uma amiga. Ele, muito satisfeito, brincou, com seu humor peculiar: “Todo mundo que vai a Ravenna diz que quer perder 40, 50 quilos. Eu disse que queria barriga de tanquinho.” Pois é, se é para estabelecer metas, que sejam elevadas.

Tomei como exemplo, perdi a vergonha e disse ao professor da academia que meus objetivos eram, além de condicionamento físico e perda de peso, a recuperação de meus músculos, ou seja, “quero ficar malhada”. Enquanto falava, segurei a vontade de rir, lembrando da história da barriga de tanquinho. Não acredito que o professor da academia tenha lavado a sério essa conversa, mas, na mesma noite, fui apresentada à “senhora” esteira ergométrica e ao “doutor” salão de musculação. Ali alternei exercícios para braços e pernas, finalizando com abdominais. Na saída, encontrei minha filha que, antiga aluna da mesma academia, exibia a mãe aos colegas: “Fulano, venha conhecer a minha mãe!” Enfim, sobrevivi à primeira noite.

Na manhã seguinte, levantei cedo e, após o café da manhã, zarpei para a academia. Novamente a rotina de exercícios. Nesse segundo dia, pude avaliar as diferenças entre os frequentadores diurnos e noturnos. Na véspera, a academia parecia uma boate, com música muito alta e um público jovem e animado que parecia estar realmente numa balada. À noite, os aparelhos são muito disputados e acabei por demorar para concluir as séries de exercícios. Já no turno da manhã, o panorama é outro. Além de a academia estar mais vazia, há um grande número de alunos com mais de 50 anos e o clima de balada desaparece. Os professores/instrutores, porém, mantém o pique nos dois horários.

Bem, como sou uma pessoa diurna, do tipo que gosta de dormir e acordar cedo, escolhi o turno matutino, ainda mais que, em regra, eu trabalho à tarde e chego em casa muito cansada. Os médicos e a nutricionista estão contentes comigo, por dar um passo para abandonar o sedentarismo. O que eles não sabem é que, ao contrário do meu amigo, eu não estou perseguindo a barriga de tanquinho. O que eu quero é dançar na praça… Fit Dance, pode me aguardar!

5 ideias sobre “Fit Dance, pode me aguardar!

  1. Márcia, seu texto me faz lembrar que em se tratando de atividade física, e como tudo na vida, é necessário objetivo. No meu caso, a musculação por si só não me manteria assíduo frequentador da academia.
    O exercício que entusiasma o praticante é o aeróbico e como o joelho não permite um desempenho de antanho, enveredei pelo short triatlo.
    Acho mais adequado para um sessentão do que a Fit Dance!

  2. Oi Márcia é muito bom fazer atividade física, o corpo agradece! Mas você é privilegiada,não come muito, é metódica e mantém o peso mais ou menos estável.
    Feliz malhação! Boa sorte!
    Beijos de Terezinha.

  3. Olá Márcia! “Vou aos jogos olímpicos não para competir, não para vender e sim para assistir, para contemplar” . Porém temos que sair da contemplação/ observação e ir para pratica. Desde fevereiro que tenho caminhado, pouco é verdade, porém os resultados já começam a aparecer, 5 kilos a menos. Continue firme e forte.

  4. Muito bem, prima!
    Estabelecer metas e comemorar os resultados, as pequenas vitórias do dia a dia …
    Confesso que também acho a musculação muito chata, mas as suas recompensas são valiosas … Já dançar, proporciona um prazer sem igual …
    Se puder, una as duas coisas. Com certeza, ganhará em qualidade de vida e, de quebra, ainda ficará mais linda ainda!
    Também estou nessa luta!
    Beijos!

  5. Oh, Márcia, quero viver para ver isso!… kkkk
    Não consigo imaginar você valsando na praça ao som de funk misturado com pagode, arrocha… sei mais o que!…
    Meu Deus… a minha filhota, amante de ópera, música clássica!…
    Bem, você está certa, preferindo ser “essa metamorfose ambulante”!
    Brincadeiras à parte. Sinceramente, acho que você está ótima no que se refere ao físico. Mas, se é para o bem da saúde, prossiga com sua malhação.
    Beijo!

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