Perca a esperança…

“A felicidade é feita de momentos”, sempre ouvi minha mãe repetir.

Minha amiga lamentava não ter aproveitado de forma mais intensa o primeiro ano de vida de seu filho. Estava muito ocupada com o trabalho, os estudos, o cotidiano. Falei com meus botões: “Mas ele só tem dois anos e meio…” Fiquei pensando sobre todas as vezes em que desperdiçamos o tempo presente com remorso ou saudade do que já passou ou postergando a felicidade para o momento oportuno, no futuro, quando… Quando o que?

Nesse ponto, concordo com Spinoza: a esperança é uma paixão triste, por expressar a decepção com o presente, projetando para o futuro o instante de plenitude. Não é preciso esperar que nada aconteça para extrair alegria do momento que se vive. Ao condicionar o contentamento à futura satisfação de nossas necessidades, estamos negando a nossa perfeição real.

Também vem de Spinoza a ideia de que o valor intrínseco das coisas é conferido pelo desejo. Não desejamos alguma coisa por ser boa. Ela é considerada boa em razão do nosso desejo. Sendo assim, a nossa completude não está relacionada à posse de qualquer bem. Nesse ponto, importa compreender que inexiste um conceito universal de alegria ou felicidade. Cada pessoa é essencialmente distinta das demais. Compreendendo que somos indivíduos completos e singulares, que não há um conceito único de felicidade e que as coisas possuem o valor que damos a elas, podemos desejar o que nos é conveniente e aumentar nossa potência e alegria.

A alegria nasce, portanto, da compreensão de que não é possível nem desejável ser diferente do que somos, pois cada um de nós tem sua perfeição própria, que o distingue dos demais. Para ser feliz, é preciso deixar de negar a nossa essência e simplesmente continuar a ser quem somos.

O apego ao passado também é negativo, pois significa que o presente é insatisfatório. Na verdade, somente o presente existe, para ser vivido intensamente, aplicando o princípio do eterno retorno, como pensado por Nietzsche: viver cada instante como se fôssemos revivê-lo indefinidamente. O instante presente deveria, portanto, ser vivido em toda a sua plenitude, como se fosse perdurar para sempre. Sabemos que não perdurará, mas o instante seguinte virá para também ser vivido integralmente, intensamente. É o que distingue a eternidade da imortalidade. O imortal não morre, é óbvio. A eternidade, porém, não está relacionada com o tempo, com duração, mas com intensidade. Viver a experiência da eternidade não significa viver mais. Significa viver melhor. Agora.

 

2 ideias sobre “Perca a esperança…

  1. Márcia,
    Marilu já disse tudo. É isso mesmo: Viver o presente!
    Você lembrou bem, o meu dizer sempre foi este: A felicidade é feita de momentos! Então, vamos aproveitar o momento presente. Amanhã não sabemos o que vai acontecer, e o que passou… não importa mais!
    Beijos!

  2. Márcia concordo plenamente que devemos viver intensamente o presente pois, como já diziam os mais velhos, o passado já foi, o futuro a Deus pertence, o presente o nome já diz é um presente.
    Bjs

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