Pródigo

Era em sonhos que sempre aparecia, dizendo:

“Eu quero entrar em sua vida.”

Um dia, respondi: sim.

 

Sem espaço para dúvidas,

Irredutível, persegui o sonho,

Ignorando obstáculos.

 

Então vieram sorrisos sinceros

Doçura no olhar, meiguice na voz

Tempo de certezas.

 

Convicta,

Vivi encantada.

Entre descobertas e revelações.

 

Era tempo de limitadas angústias

Um pouco de febre, garganta doendo

Vigília noturna

 

Época de ver florescer a vida

A toda hora, em qualquer lugar

E o amor sempre presente entre nós

 

O tempo passou e não percebi

Em que instante você partiu

Para longe do meu coração

 

Quando foram erguidas essas muralhas

e deixamos de habitar o mesmo universo?

Em que galáxia você habitava agora que não mais ao meu lado?

 

Quando cessaram as doces palavras?

Quem as trocou por indiferença?

Inevitável que fosse assim?

 

Coração partido buscou alento

Consolou-se, justificou-se

e esperou…

 

Conservando a esperança

No anjo que instilou o sonho inaugural

E repetiria os mesmos versos em seus ouvidos

 

Pouco importa a dureza do convívio

Não posso me apartar

Laços indissolúveis não desatam, não desatam, não desatam.

 

Para ser imune, havia de voltar no tempo

Com um sonoro não ao misterioso anjo

Amar menos, pensar mais

 

O que teria sido da vida?

Mais conquistas, menos sofrimento?

Mais êxito, menos angústias?

 

As escolhas da juventude definem a vida

Seguir à direita ou à esquerda

Esperar ou partir, em desabalada carreira

 

Sabia que, em breve, retornaria

Com o mesmo olhar que me encantou

No dia em que vi a face da morte

 

Aguardei o regresso

Com o coração apertado

E a convicção característica do amor verdadeiro

 

Voltou, como em sonhos imaginava

E de braços abertos, feliz, feliz, feliz

Abri as portas para o amor eterno que, “pródigo”, regressava.

 

5 ideias sobre “Pródigo

  1. Márcia
    Muito bonito o seu poema. Você é boa em prosa e versos.
    Ainda está recebendo colaboradores? Aguarde-me.
    Abraços de Terezinha.

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