“Tudo demais é sobra”, por Terezinha Maria

Mais uma vez, conto com a colaboração de minha querida tia, Terezinha Maria:

Meu saudoso pai costumava afirmar: “tudo que dá prazer, faz bem à saúde”. Ele dizia isso por que não suportava fazer dieta, comia tudo que era proibido pelo médico. Aliás, ele detestava médico, apesar de ter uma filha, um genro e um neto médicos. Era bastante rebelde a esse respeito. Enquanto minha mãe era toda cuidadosa com a saúde, ele dizia que não precisava de médicos porque não iria adoecer; quando ocorresse o desenlace, seria repentino. E assim aconteceu.

Mas não é pra lembrar fatos tristes, que estou escrevendo, é para falar da importância da moderação em tudo que fizermos. De certa forma meu pai tinha razão quando dizia que as coisas prazerosas faziam bem à saúde. Realmente, sentimos prazer porque o nosso organismo libera endorfinas, que causam relaxamento muscular e sensação de bem estar.

Inúmeras atividades: físicas, mentais e intelectuais podem causar essas sensações de bem estar. Tudo isso varia de pessoa para pessoa, mas todos são unânimes em dizer que sentem prazer com uma comida bem gostosa, acima de tudo se estiver sentindo fome. Portanto, saciar a fome é vital e dá um enorme prazer. E a água, então? Nada há de mais prazeroso que um copo d’água na hora da sede. O toque humano, o carinho de uma pessoa amada! Já ficou provado que as crianças que recebem mais carinho, mais contato físico, têm melhor desenvolvimento que aquelas criadas em instituições e orfanatos.

É quase unanimidade a afirmação de que não existe sensação física mais prazerosa que o orgasmo. Por causa disso são permitidos os exageros?

Aí entra a necessidade da moderação. Toda sensação é agradável, no ponto certo. O excesso não faz bem à saúde. Comida em excesso leva à obesidade, hipertensão arterial, diabetes e uma série de afecções que culminam com a morte prematura. A água em excesso causa hiperidratação, distúrbio metabólico que pode causar a morte, se não tratado em tempo hábil. Excesso de carinho, e mimos prejudica a personalidade da criança. O ato sexual tão fundamental para a continuação da vida e para a satisfação e felicidade do casal, também não deve ser praticado irresponsavelmente e em excesso. No meio, está a virtude.

Muitos pensam: se isso é bom, dois disso é melhor, três melhor ainda! Mas não é assim que funcionam as coisas.

Por causa do desejo exacerbado, da exaltada necessidade de sensações, que a droga entrou na sociedade e vem causando devastações nas famílias.

Urge a apresentação de medidas que minimizem as ações da droga. É necessário a construção de centros de recuperação para os dependentes químicos. Medidas alternativas devem ser apresentadas no intuito de solucionar tão grave problema social.

Uma pessoa que supervaloriza as sensações de prazer, dificilmente poderá alcançar a felicidade plena, já que esta independe de sensações físicas. È algo muito complexo e muito individual. O que faz uma pessoa feliz não é a mesma coisa para outra pessoa.

As pessoas bondosas, com bons sentimentos são altruístas, caridosas, sentem-se felizes em doar momentos de suas vidas em prol de alguém. Já o egoísta, nem está aí para o companheiro. Primeiro eu, depois eu, e sempre eu.

Voltando à necessidade de ter muito prazer; antes, as crianças ficavam satisfeitas em comer bolo, saboreavam um bolinho simples com todo prazer. Atualmente, os bolos de fim de semana devem ter recheio e cobertura para serem aceitos pela garotada, o que aumenta muito o teor calórico, levando ao perigo de obesidade. Os sanduíches, só serão bem apreciados se tiverem molhos gordurosos e calóricos. As saladas de verduras, que deveriam ser bem saudáveis, precisam levar maionese para ficarem mais saborosas e causar mais prazer. Os sorvetes levam coberturas sortidas com diversos sabores. Tudo em nome do prazer! A criatividade não tem limites; a todo momento estão elaborando receitas cada vez mais saborosas.

Com a cultura do exagero, parece que os jovens piraram de vez. Além de escutarem músicas de péssima qualidade com som altíssimo, querem que todos ouçam também. Ou melhor, que todos fiquem surdos, pois, sem dó nem piedade, utilizam os famosos paredões (vários aparelhos de som de carros ligados ao mesmo tempo), com efeito devastador para a audição.

O homem emocionalmente evoluído não se apega demais aos prazeres físicos. Mesmo porque, essas coisas todas saturam, com o passar do tempo já não causam tanto prazer assim. Neste ponto, o organismo pede sensações cada vez mais fortes.

O que dá retorno e causa o verdadeiro prazer, é a satisfação de amar e ser amado. Mas o amor mais amplo, no sentido cristão do termo. A bondade, a caridade, a compaixão, a solidariedade, o senso de justiça, o respeito aos direitos dos outros. A velha e sempre atual recomendação bíblica: “Só faça aos outros o quer que façam a você também”.

O homem que possui esses valores, não precisa de nada extraordinário para sentir prazer. Ele é feliz com pouco, porque valoriza as coisas que tem. Quer ser reconhecido como um ser, não se importa tanto com o ter. Os bens que uma pessoa possui não a transformam numa pessoa de bem, se não forem conquistados com trabalho e honestidade.

Muitas pessoas trabalham à exaustão com o intuito de construir um sólido patrimônio e deixar os filhos amparados. Nada mais justo! Mas será realmente necessário trabalhar tanto? Deixar de viver o momento presente, só pensando no futuro? Eles serão mais felizes se tiverem bastante dinheiro? Pelo fato de poder adquirir coisas, o dinheiro proporciona muitos prazeres. Prazeres momentâneos!

Eu, pessoalmente, sinto imenso prazer em saber que a minha família está bem e unida. Pois sei que a força da união a torna afortunada e feliz. Eu sonho com uma família como os Quatro Mosqueteiros: “Um por todos, todos por um”

O progresso é um facilitador da vida, entretanto não faz o homem mais feliz, torna-o mais exigente, sempre querendo mais conforto, mais comodidade, mais prazer. Com um simples toque de botão, querem solucionar as coisas ao seu bel prazer, sem esforço, sem trabalho. Dessa forma o homem do futuro terá a cabeça grande com o cérebro volumoso e os músculos atrofiados pela ausência de esforços físicos.

Assim também é demais e “tudo demais é sobra”.

2 ideias sobre ““Tudo demais é sobra”, por Terezinha Maria

  1. Tereza,
    Excelente o seu texto.
    Sempre achei que não precisamos de muito para sermos felizes.
    Eu, assim como você, me sinto feliz em saber saber que os meus estão unidos.
    “Um por todos, todos por um.” Este deve ser o lema.
    Continue escrevendo. Você leva jeito.
    Beijos.

  2. Parabéns minha mãe por mais um belo texto. Também acho que a vida deve ser encarada como uma propaganda de cerveja – ” aprecie com moderação”

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