“As máquinas são confiáveis?”, por Terezinha Maria

Véspera do Enem e agradeço a Deus por ter me dado uma tia que gosta de escrever e me enviou um texto maravilhoso para compartilhar com vocês (porque se dependesse da mamãezinha aqui escrever, acho que não sairia nada hoje!) Com vocês, outra participação de Terezinha Maria:

“As máquinas não confiáveis?

Sou uma senhora quase septuagenária, mas “ainda em boa forma”, segundo a opinião de algumas pessoas. Para mim, alguns amigos leais. Para minha irmã, esses elogios partem de pessoas que querem me bajular pensando que sou candidata a algum cargo eletivo. Prefiro acreditar na primeira possibilidade. De qualquer forma, quero dizer que ainda não sou nenhuma decrépita. Entretanto a falta de afinidade com máquinas é uma coisa que me deixa extremamente irritada.

Tenho uma inteligência mediana que me proporcionou a realização de alguns projetos de vida. Emocionalmente falando, tenho um QI emocional que me possibilita a convivência pacífica com pessoas de diferentes temperamentos. Entretanto não tenho a mesma tolerância nem sabedoria para lidar com máquinas. Quanto mais sofisticadas, pior para mim.

Tenho sentido uma pontinha de inveja quando vejo meus netinhos usarem computador e afins com uma desenvoltura admirável. O que me dá um certo alento é saber que outras pessoas, na minha faixa etária, têm igual dificuldade

Ultimamente tenho travado uma verdadeira batalha com o meu velho computador (modelo 2007). Vou explicar, para não ficarem pensando que estou ficando tan tan. É que fizeram modificações na gramática e não avisaram ao meu computador. Por exemplo: eu estava digitando a palavra” avós” (plural de avô), o computador assinalou como errado e corrigiu: avó – avós, avô – avôs. No mesmo texto, digitei a palavra consequência, sem o trema, pois sei que o mesmo não existe mais. Todavia, o computador considerou errado, e sem a minha permissão teve o atrevimento de grafar conseqüência com o trema.

Estou tentando atualizar o computador, para tanto desejo instalar um programa com correção gramatical.

Ultimamente o celular é uma febre nacional, é muito difícil encontrar um cidadão brasileiro que não o possua. Tornou-se um acessório imprescindível em todo e qualquer ambiente: cinemas, salas de aula, teatro, consultório médico, igrejas, etc. O pobre professor conta com mais esse meio de dispersão dos alunos, já bastantes desatentos.

O uso abusivo do celular, paradoxalmente, está aproximando as pessoas afastadas e colocando de escanteio as pessoas mais próximas.

Outro dia, estava atendendo a uma paciente, enquanto a examinava e fazia o questionário de praxe para confeccionar a história, sua mãe ia respondendo coisas totalmente estranhas, sem nexo. Ao levantar a cabeça, percebi que a mãe da criança doente estava totalmente absorta em conversas intermináveis com uma sua amiga. Será que esta conversa era realmente muito importante? Não creio que fosse mais importante que a saúde da filha.

É tudo uma questão de educação: precisamos educar as pessoas para que possam usufruir dos benefícios do progresso. A tecnologia facilita a vida das pessoas, evitando perdas de tempo. Como exemplo, temos o computador, máquina que veio para revolucionar. Mas não devemos ser escravos dele. Numa escala de valores, devemos colocar as coisas que possuímos, de forma que possamos priorizar as que realmente são importantes.

Cada pessoa que conhecemos e amamos é um ser ímpar, exclusivo, sem repetição, mas altamente vulnerável e finito. Passam por nossa vida e deixam um espaço vago que não pode ser substituído. Por isso, mais um motivo para valorizarmos os nossos entes queridos.

Certa vez, uma pessoa amiga comentou: se eu soubesse que meu irmão estava perto de morrer teria tido mais paciência com ele.

A nossa passagem por esse mundo é assim mesmo, efêmera. Não podemos perder tempo, pois não sabemos quanto ainda temos. Em qualquer idade podemos ser “convocados” para outras missões.

Vamos “curtir” as nossas crianças, elas crescem muito depressa, perdem a graça e a inocência e alçam voo para longe. Neste voo rumo à liberdade, elas precisam estar preparadas para enfrentar os desafios da vida. Devem estar munidas com armas para os confrontos que precisarão vencer. Não basta ter instrução, conhecimentos técnicos e habilidades profissionais para ter êxito na vida. Tudo isso é muito importante, mas, é imprescindível que os conhecimentos técnicos sejam exercidos com honestidade e respeito. Todo profissional deve ter o seu código de ética. Esse código de ética deve ser norteado na promoção da pessoa humana.

Assim sendo, como código de honra: vamos priorizar as pessoas. Todo ser humano é importante, merece consideração e respeito. Máquina é um artefato confeccionado por mãos humanas que pode ser criada, copiada, repetida ou destruída, conforme as conveniências. O ser humano, não! É criatura de Deus criada à sua imagem e semelhança com missão definida: lutar pelo bem comum, dar a sua contribuição para a justiça e a paz.”

6 ideias sobre ““As máquinas são confiáveis?”, por Terezinha Maria

  1. Você tem razão Rui.
    Antigamente não havia nem telefone fixo.
    Só tínhamos notícias das pessoas através de cartas, que muitas vezes demorava muitos dias para chegar.
    Ficamos mal acostumados com as novidades eletrônicas.
    Beijos da sua irmã que lhe quer muito bem.
    Lucinha.

  2. Belo texto! E é por isso que eu gosto de sumir e me desligar totalmente de celulares… mas aí vêm as cobranças de pessoas…

  3. Parabéns “dotora”por mais um belo texto. Fico feliz que esteja escrevendo com uma frequencia maior. Sempre fui um grande incentivador.
    Beijos de seu filho Vine

  4. Marcia parabéns pela tia, adorei o texto , é realmente o que acontece hoje em dia e não só com crianças e adolescentes mas com a maioria das pessoas em qualquer idade. Acho até que esse texto deveria ser mais divulgado.
    Parabéns

  5. Tereza,
    Muito bom seu texto. Eu sempre digo que essas novidades eletrônicas têm os prós e os contra.
    Eu só chamo de bajuladoras àquelas “idiotas” que perguntam se eu sou sua mãe.
    Afinal só temos um ano de diferença na idade. Eu não posso chamá-las de outra maneira. BAJULADORAS!
    Mas eu que sou sua irmã e lhe quero muito bem, digo com sinceridade que você está ótima e é muito inteligente.
    Beijos.

  6. Márcia
    Agradeço a publicação do meu texto, e fico satisfeita ao saber que lhe ajudei.
    Quero encaminhar para Luíza os meus votos de feliz ENEM ! Muita calma, que vai dar certo !
    Abraços de Terezinha

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