Ah! Bizet…

CartazVi o outdoor quando voltava para casa: Carmen, de Bizet, no Teatro Castro Alves. Meus olhos brilharam e comecei a sorrir. Cheguei em casa eufórica,  pensando na minha sorte em poder assistir ao espetáculo em Salvador. Sim, como já contei antes, sempre fui apaixonada por essa ópera.

Marcamos com alguns amigos. Confesso que fiquei um pouco receosa, pois eles nunca haviam assistido a uma ópera e eu sabia que a apresentação seria longa: mais de três horas… Para quem gosta, o tempo voa, e fica a sensação de que poderia passar ainda mais tempo assistindo ao espetáculo, mas, se eles não gostassem… Bem, se não gostassem, os meus convidados iriam embora após o primeiro ato. E eu ficaria até o final, é claro.

No dia do espetáculo, chegamos cedo e aguardamos nossos amigos no foyer do teatro. A espera naquele salão permitiu apreciar a fauna variada que frequenta o teatro baiano. Muitas senhoras e senhores com mais de sessenta anos. Elegantes e discretos, aguardavam serenamente a abertura da sala principal ao público.

Adiante, um grupinho com pretensões artísticas manifestadas pelo vestuário: o rapaz mal cabia em uma calça skinny que, de tão justa, mais parecia a malha usada pelos bailarinos clássicos. Havia um senhor magrinho, aparentando oitenta anos, que orgulhosamente trajava uma blusa de cetim vermelha, gravata borboleta preta e chapéu coco. Sim, chapéu coco.

Outro, ao lado, escondia seus dread-locks em turbante que alcançava quase um metro de altura. Muito equilíbrio tinha esse rapaz, que caminhava agilmente para lá e para cá sem que a sua cabeça tombasse para nenhum dos lados. Eu apenas torcia para que ele não se sentasse à nossa frente e bloqueasse a visão do palco. Havia, também, uma moça bonita, com um belo coque nos cabelos, trajando um collant com imenso decote nas costas e, ao redor dos quadris, um lenço de seda preta com flores vermelhas bordadas em linha de seda. Essa, com certeza, estava imbuída do espírito do espetáculo.

Foto: Adenor Godin

Soou o primeiro chamado, entramos da sala de espetáculos e sentamos em nossos lugares. A orquestra sinfônica tocou a introdução e as cortinas se abriram. Cenários bem elaborados, figurino caprichado, coreografia encantadora. Uma linda comemoração dos 30 anos da Associação Lírica da Bahia e da Orquestra Sinfônica da Bahia. A história, muito conhecida, trata de tema universal, já cantado e encenado, bem ou mal, por artistas de todos os estilos e qualidade. A paixão que cega. A sedução, a paixão, a loucura, o desprezo, o ciúme, a morte.

Carmen - último ato

Foto: Adenor Godin

Findo o espetáculo, perguntei a nossos amigos:

– E ai? Gostaram?

– Adorei. Eu não sabia se iria gostar, pois foi a primeira ópera que assisti, mas gostei muito. É incrível que haja uma montagem dessa qualidade em Salvador. Pena que as pessoas não aproveitam e nem vêm assistir. O teatro não estava cheio. Se fosse show de arrocha, lotava. Ao menos, eu agora sei que gosto de ópera. Se pudesse, viria novamente amanhã.

– Que bom que você gostou. Agora conte o que achou da história.

– Gostei muito, mas, aqui entre nós, ô mulherzinha ordinária essa Carmen…

4 ideias sobre “Ah! Bizet…

  1. Seus Amigos agradecem imensanente, Amiga!! Excelente indicação! Da próxima, pode repetir o convite. Beijos!!

  2. Seus Amigos agradecem imensamente, Amiga!! Excelente indicação!! Na proxima pode repetir o convite. Beijos!

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